Jorge Colombo na Granta portuguesa

O ilustrador português, que vive nos Estados Unidos e tem trabalhado com grandes publicações como a revista The New Yorker, será o autor das próximas quatro capas da revista editada pela Tinta da China.

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A capa da revista "Granta" com a ilustração de Jorge Colombo Jorge Colombo
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As ilustrações da revista têm a assinatura da muito premiada Catarina Sobral e esta acompanha o texto de Herta Müller. Catarina Sobral

A capa da próxima Granta, a edição número cinco da revista em Portugal, não trará uma fotografia na capa tal como tem acontecido até aqui. A revista que chegará aos mais de mil assinantes no princípio da segunda semana de Maio e estará nas livrarias no final do mês traz uma ilustração de Jorge Colombo.

O ilustrador português, que vive nos Estados Unidos e tem trabalhado com grandes publicações internacionais como a revista The New Yorker, junta-se agora à equipa da Granta e será o autor das próximas quatro capas da revista editada pela Tinta da China.

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Isto quer dizer que durante os próximos dois anos, já que a revista é semestral, a Granta trará ilustrações suas na capa. O director da revista Carlos Vaz Marques explica ao Ípsilon que não será só essa a mudança: “o tema de cada revista vai passar a aparecer também na capa – até aqui só estava na lombada e na contracapa. Quisemos mudar”. Depois de temas como Eu, Poder, Casa, África o tema desta vez foi pedido, emprestado, a Samuel Beckett: “Falhar Melhor”. Com textos de Paulo Varela Gomes, Bruno Vieira Amaral, Cláudia Clemente, Jonathan Franzen, Gore Vidal ou da Nobel Herta Müller, entre outros.

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“Falhar melhor. O temperamento de cada um ditará se há na expressão de Beckett pessimismo, optimismo ou resignação. Vivemos numa floresta de palavras e carregamos uma frase de que nos apropriámos como o lenhador carrega o seu machado: tanto pode ser arma como utensílio. A expressão de Samuel Beckett é de tal modo poderosa, que corre o risco de vir a banalizar-se. Talvez já esteja à beira do lugar-comum. Dá bons títulos. É preciso voltar a lê-la no contexto em que nos foi oferecida pelo escritor irlandês em Worstward Ho, um dos seus últimos trabalhos: ‘Tudo desde sempre. Nunca outra coisa. Nunca ter tentado. Nunca ter falhado. Não importa. Tentar outra vez. Falhar outra vez. Falhar melhor.’ O desafio lançado aos autores que fazem este número da Granta está contido na brecha aberta entre o optimismo e o pessimismo, entre a ideia de falhar e a perspectiva de aperfeiçoamento. Um salto sem rede”, escreve Carlos Vaz Marques no editorial deste número da revista que abre, nas suas palavras, com um texto “pungente” do escritor e académico Paulo Varela Gomes, intitulado Morrer é Mais Difícil do que PareceA primeira frase: “Tenho um cancro de grau IV”. “É uma reflexão aguda sobre a fragilidade da vida humana e sobre o surpreendente reservatório vital que cada um de nós possui”, explica o editor. Desta vez as ilustrações da revista têm a assinatura da muito premiada Catarina Sobral e o ensaio fotográfico tem a assinatura de Patrícia Almeida e David-Alexandre Guéniot Ferreira.

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