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Josef Koudelka ou a Checoslováquia em Madrid

O histórico fotógrafo que mostrou como os tanques soviéticos esmagaram a Primavera de Praga tem a sua maior retrospectiva de sempre na Fundação Mapfre, até 29 de Novembro.

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Será em Madrid, na Fundação Mapfre, que o fotógrafo de Praga vai ter a sua maior retrospectiva de sempre, até 29 de Novembro. Uncertain Nationality são mais de 150 obras de Josef Koudelka, um mundo passado a preto e branco, a história de muitas histórias da política europeia e não só, documentadas por uma lenda viva do fotojornalismo que ficou conhecida pelo seu inultrapassável relato da invasão soviética de Praga.

Koudelka tem hoje 77 anos e esteve na apresentação da exposição para contar algumas dessas histórias. “Durante 16 anos não tive passaporte, não trabalhei para ninguém, estava sempre a viajar e passei noites incontáveis a dormir ao relento ou à volta de fronteiras, à espera que a polícia se fosse embora”, contou, citado pelo Huffington Post, sobre o exílio a que a exposição foi buscar o seu título.

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Josef Koudelka

Nascido na então Checoslováquia, formou-se em engenharia, sempre enquanto fotografava, mas viu-se em Praga quando da invasão soviética em Agosto de 1968. Fotografaria corajosamente os tanques do Exército Vermelho, o choque dos manifestantes, uma cidade e um país no cume da mudança. Os negativos saíram do país, contrabandeados, e chegaram à agência Magnum, a sua casa de sempre, tendo sido publicadas na revista do britânico Sunday Times sob as iniciais do anónimo fotojornalista de Praga. Em 1970, Koudelka fugia para o Reino Unido sob asilo político e só voltaria à Checoslováquia em 1990, três anos depois de ter obtido a nacionalidade francesa. Durante este hiato, sentiu-se dessa nacionalidade incerta.

Pertencer a ninguém, a Estado algum, foi para Koudelka pertencer aos migrantes, à paisagem que foi fotografando Europa fora – no pré e pós-25 de Abril retratou Portugal obstinadamente, por exemplo a partir de Fátima, até ser preso pela PIDE e voltar já após a revolução. De resto, os seus grandes projectos ou séries, como Gypsies (1975) sobre os romani, Exiles (1988) sobre essa não-pertença, documentam uma tensão entre a reportagem e a autobiografia, identificam os curadores de Uncertain Nationality, Matthew Witkovsky, e Richard e Ellen Sandor, do Departamento de Fotografia do Art Institute de Chicago.

Uncertain Nationality começa pelo princípio, com os módulos Primeiros Anos e Experiências entre 1958 e 62 a ilustrarem os países que a sua alma de viajante levava a conhecer e as técnicas e formas de exposição que testava. Uma das outras fases importantes do seu trabalho inicial prendeu-se com as artes performativas – Teatro é, justamente, outro dos núcleos, revelando a sua actividade como colaborador das companhias teatrais checas Divadloza Branou e Divadlona Zábradlí. Exercitou a repetição, a pré-visualização da imagem, sempre perto dos actores na sala de ensaios e no palco, em movimento e a lidar com luzes mais exigentes. Cinco décadas de fotojornalismo que se completam com Panoramas, um território que sempre explorou e que o levou das alterações da paisagem pela construção do Canal da Mancha ou, mais recentemente, a Israel e à Palestina.

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Francia,1987 Josef Koudelka/Magnum Photos

"Quando saí da Checoslováquia perdi qualquer coisa", dizia ao PÚBLICO em 2005 o fotógrafo nómada, a cujo trabalho se juntam em Madrid documentos inéditos sobre as transformações políticas na Europa dos anos 1960. Ganhou a fuga aos estereótipos e muitos prémios de renome (Nadar, Cartier-Bresson), manteve a dificuldade de falar sobre a sua fotografia. 

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