Opinião

Um pouco mais perto de encontrar vida extraterrestre

É extremamente entusiasmante que os sete planetas em torno de uma pequena estrela (Trappist-1), cuja descoberta foi anunciada, tenham tamanho e massa similar à Terra e que três deles estejam na zona de habitabilidade – isto é, à distância certa da sua estrela para terem temperatura amena que permita a existência de água líquida à superfície. A existência de água líquida é uma das condições para o desenvolvimento de formas de vida como a que existe na Terra. Não é a primeira vez que se encontram planetas cuja temperatura permite a existência de água líquida à superfície. Por exemplo, o satélite americano Kepler, da NASA, descobriu alguns planetas um pouco maiores do que a Terra que se encontram na zona de habitabilidade. No entanto, com a tecnologia hoje à disposição, não é ainda possível explorar a atmosfera e a composição destes planetas.

Para os astrónomos, os planetas no sistema Trappist-1 apresentam uma vantagem enorme que é o facto de orbitarem uma estrela das mais pequenas que existem. Esta estrela é dez vezes mais pequena do que o nosso Sol. Por isso, o contraste de brilho entre o planeta e a estrela é muito menor. Por exemplo, dado que o tamanho de Júpiter é dez vezes maior do que a Terra, caracterizar um planeta do tamanho de Júpiter em torno de uma estrela como o Sol é semelhante a caracterizar um planeta do tamanho da Terra em torno de uma estrela tão pequena como o Trappist-1. Assim abre-se agora a possibilidade de explorar a atmosfera de planetas no tamanho na Terra como nos últimos anos tem sido possível para planetas do tamanho de Júpiter, onde já foram encontrados água e outros elementos nas suas atmosferas.

Ainda mais empolgante é o facto de podermos agora explorar sete planetas com temperaturas entre 130 graus Celsius positivos e 150 graus Celsius negativos, três deles, com temperaturas amenas para os padrões da Terra. Estudos das atmosferas nestes planetas já começaram e esperamos brevemente notícias sobre a composição das suas atmosferas e possivelmente da existência de água em alguns deles. Quanto à pergunta sobre se albergam vida, precisará de mais alguns anos para ser respondida.

Para descobrir pequenos planetas em estrelas mais semelhantes ao nosso Sol estão planeados novos instrumentos e satélites. Entre eles o espectrógrafo ESPRESSO (2017), em que o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) está activamente envolvido, e que permitirá medir a massa dos planetas e investigar as suas atmosferas. Os satélites CHEOPS (2018) e PLATO (2025), da Agência Espacial Europeia, em que o IA também está envolvido, terão a capacidade de descobrir planetas na zona de habitabilidade de estrelas semelhantes ao Sol. Portugal através do envolvimento do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço nestes projectos, participará de novas e interessantes descobertas.

O novo telescópio espacial James Webb, que será lançado em finais de 2018, irá também permitir explorar as atmosferas de planetas do tamanho da Terra em torno de estrelas parecidas com o Sol. Por isso estamos cada vez mais próximo do sonho de encontrar vida talvez semelhante à que conhecemos na Terra em mundos distantes.

Investigadora do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço

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