Especialistas internacionais reconstituem filme do tsunami de 1755

O filme permite perceber o alcance das ondas depois do terramoto que assolou Lisboa e a costa portuguesa.

Convento do Carmo em Lisboa foi destruído durante o terramoto
Foto
Convento do Carmo em Lisboa foi destruído durante o terramoto Fabio Augusto

Alguns dos maiores especialistas mundiais no estudo geológico dos tsunamis juntam-se em Portugal para reconstituirem a história do que afetou a costa portuguesa em 1755, num trabalho de investigação sobre o que aconteceu há séculos.

O geólogo português Pedro Costa, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, disse à Lusa que com este estudo se consegue reconstituir até onde as ondas invadiram terra, quantas ondas se sucederam e que altura atingiram.

É o primeiro simpósio internacional para estudar as evidências geológicas do tsunami que se seguiu ao terramoto de 1755 e juntará de 03 a 07 de setembro estudiosos portugueses, norte-americanos e britânicos, que farão visitas de campo em Lisboa e no Algarve.

Em algumas partes do sistema costeiro ainda são visíveis os efeitos do tsunami e estudar os sedimentos permite perceber o período de retorno entre tsunamis, o que ajuda a estabelecer qual a sua periodicidade.

Os depósitos de sedimentos na costa portuguesa são dos mais complexos já estudados: há blocos de pedra do tamanho de carros que foram arrastados centenas de metros para terra, acabando por ficar vários metros acima da sua cota de origem, referiu.

Na areia também ficou gravado o "filme dos acontecimentos" do tsunami de 1755, revelado por técnicas como a tomografia axial computorizada (TAC), também usada para exames médicos, a que são sujeitas as amostras.

As areias de terra, arrastadas pelas marés que avançaram com o tsunami e depois retrocederam, permitem perceber até onde chegaram, contando "a história da vida de cada grão".

Pedro Costa referiu que o estudo deste tema deu um salto decisivo com o tsunami de 2004 no oceano Índico, que matou milhares de pessoas.

"Houve muito mais dinheiro, não para Portugal, e as técnicas avançaram muito, foi um salto qualitativo extraordinário", salientou.

A organização é da Universidade de Lisboa e do Instituto Dom Luiz, que esperam 75 investigadores de 18 países, com especialidades que vão da geologia à matemática e física, e ainda membros da proteção civil.

Sugerir correcção