Torne-se perito

Os "filmes do caraças" que não podiam ser distribuídos ganharam nova casa

A Cinema BOLD, dedicada a filmes que teriam vidas difíceis em estreia comercial, vai fixar-se nos cinemas UCI, em Lisboa e no Porto, e nos próximos seis meses vai estrear filmes de Joachim Trier, Justin Benson e Aaron Moorhead, Hafsteinn Gunnar Sigurðsson, Ali Abbasi, Gaspar Noé e Joe Penna.

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A mistura de realismo e fantasia de Border fez sensação em Cannes

Nos próximos seis meses, a Cinema BOLD, sub-marca que pertence à distribuidora Alambique e se dedica a filmes de difícil distribuição tradicional no mercado português, vai estrear seis filmes. Sempre nos cinemas UCI, no El Corte Inglés, em Lisboa, e no ArrábidaShopping, em Gaia, com sessões diárias à meia-noite, às 21h30 às quintas-feiras e às 19h aos domingos. Os filmes ficam em sala um mês, façam os espectadores que fizerem, e as sessões de estreia, às quintas-feiras, serão eventos especiais. Quando houver possibilidade, os realizadores apresentarão os seus filmes.

"As pessoas sabem que uma vez por mês há um filme maluco” para ver, explica ao Ípsilon Luís Apolinário, director da Alambique. “Pode ser documentário, animação, comédia. Está ligado à frase ‘ainda não viste tudo’. Queremos ter algo que faça a pessoa dizer: ‘aqui está uma coisa em que ainda não tinha pensado’.

O primeiro título é Thelma, de Joachim Trier, sobre uma rapariga com poderes telecinéticos. Tem estreia marcada para 4 de Outubro. Será complementado com a curta A Estranha Casa na Bruma, de Guilherme Daniel, adaptação de H.P. Lovecraft que venceu o prémio de Melhor Curta de Terror Portuguesa no MOTELX deste ano. “Joachim Trier é um dos amores da Alambique”, conta Apolinário. “É um filme a que achamos muita graça, mas estar a promover isto de forma tradicional, para um público com mais de 50 anos, não vai correr bem. Se calhar conseguíamos mais 200 ou 300 espectadores, mas as pessoas que podiam adorar o filme não iam ver e outras saíam um bocadinho insatisfeitas”.

Seguem-se O Interminável, dos americanos Justin Benson e Aaron Moorhead, filme de terror que, diz o programador, foi escolhido por a BOLD estar atenta a "coisas esquisitas”. E “prova que é possível com tuta e meia fazer um filme de ficção científica do caraças”. Seguem-se, nos meses depois, A Árvore da Discórdia, do islandês Hafsteinn Gunnar Sigurðsson, comédia negra sobre a disputa entre vizinhos sobre a sombra que uma árvore faz - é “um gosto pessoal" do distribuidor este "sentido de humor nórdico cruel” -, Border, mistura entre realismo e fantasia centrada numa mulher de 40 anos a descobrir a sua identidade, com realização de Ali Abbasi, que nasceu no Irão, viveu na Suécia e agora se fixou na Dinarmarca (recebeu o prémio Un Certain Regard em Cannes), Clímax, de Gaspar Noé, sobre a bad trip de uma trupe de dançarinos de hip-hop. Por fim, e estaremos já em Março, Arctic, do brasileiro Joe Penna, com Mads Mikkelsen, um despojado filme islandês de sobrevivência no Ártico, que “é preciso enquadrar”, para “não enganar o cliente, porque não é um filme de acção tradicional”.

Todos ficarão disponíveis em VOD uma semana depois da estreia e, promete o responsável, "vão dividir o público e a imprensa”. “São filmes de limite que dão a ideia da diversidade e do quão criativo o cinema continua a ser”, remata.

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