Valley of the Boom: como a Internet como a conhecemos começou

O National Geographic estreia este domingo, às 22h30, uma mini-série de seis episódios sobre três empresas da Internet nos anos 1990.

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Valley of the Boom mostra as histórias dos primórdios da internet DR

Os primórdios dos negócios da Internet, que fizeram da região de Silicon Valley aquilo que é hoje, são o foco de Valley of the Boom: A História de Silicon Valley. A nova mini-série do National Geographic, que, tal como Mars, que se estreou em 2016, é um misto entre documentário e ficção, olha para esses tempos de inovação e possibilidade da World Wide Web que nos deram a Internet tal como conhecemos hoje e depois levaram, em Março de 2000, ao rebentar da bolha. A estreia, com os dois primeiros episódios – que já tinham sido disponibilizados pelo canal via YouTube – é este domingo, a partir das 22h30.

Há três negócios focados neste olhar pelos tempos em que um modem fazia uma chinfrineira a ligar-se à Internet. Nenhum deles durou até aos dias de hoje: a Netscape, responsável pelo browser Netscape Navigator, que perdeu uma guerra com o enorme poder que a Microsoft detinha, theGlobe.com, uma rede social antes do tempo das redes sociais, e o Pixelon, que pretendia ser uma espécie de YouTube, prometendo – mas não cumprindo – vídeo de alta qualidade. Com eles, as pessoas que os criaram, que os fomentaram, que neles investiram.

Valley of the Boom divide-se em seis episódios. Estão recheados de histórias mais ou menos verídicas, em que as personagens param a acção para quebrarem a quarta parede, por vezes a comentarem o quão real é ou não aquilo que estamos a ver – há aqui qualquer coisa de A Futile and Stupid Gesture, o biopic de Doug Kenney, fundador da National Lampoon, que saiu no Netflix.

A série é uma criação de Matthew Carnahan, que tinha sido responsável por House of Lies, série do Showtime com Don Cheadle em que esses apartes e explicações também aconteciam.

Além disso, temos várias das pessoas verdadeiras como cabeças falantes a narrarem esses tempos. O caso de Marc Andreesen, o programador que co-criou Mosaic, o primeiro browser gráfico, e depois co-fundou a Netscape, é peculiar: em vez de aparecer o próprio nessas entrevistas, John Karna, o actor que faz o seu papel, fala por ele e comenta que Andreesen é alguém que gosta de olhar para a frente e não para trás e se recusou a participar na série. 

No elenco, nomes como Lamone Morris, de New Girl, a fazer de uma espécie de compósito de investidores de Wall Street que trabalharam nesta altura, Bradley Whitford, de Os Homens do Presidente, como James L. Barksdale, CEO da Netscape, ou o veterano Steve Zahn, de Treme, que faz do misterioso – e muitas vezes absurdo – Michael Fenne, fundador da Pixelon.

Isto poderá ser um spoiler da vida real: Fenne, uma pessoa muito colorida e dada a contar histórias como a daquela vez em que foi apunhalado por rejeitar dar dinheiro a um pedinte, era afinal –​ descobriu-se, depois de conseguir angariar milhões de dólares para o seu projecto – um pregador vigarista que estava a fugir às autoridades.

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