O que é uma obsessão? Os lendários fotógrafos da Magnum respondem

“Para mim, a câmara sempre foi uma ferramenta para encontrar e descrever o amor – a ponto de se tornar uma obsessão. Quão perto estou de conseguir captar o sentimento nas minhas imagens? É este o amor que estou a procurar nos últimos vinte anos? É este o amor da minha vida? Fotografei jovem casais apaixonados por todo o mundo para nos lembrar que somos todos iguais e que aquilo que temos em comum é muito maior do que aquilo que nos separa.” ©Jacob Aue Sobol/Agência Magnum
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“Para mim, a câmara sempre foi uma ferramenta para encontrar e descrever o amor – a ponto de se tornar uma obsessão. Quão perto estou de conseguir captar o sentimento nas minhas imagens? É este o amor que estou a procurar nos últimos vinte anos? É este o amor da minha vida? Fotografei jovem casais apaixonados por todo o mundo para nos lembrar que somos todos iguais e que aquilo que temos em comum é muito maior do que aquilo que nos separa.” ©Jacob Aue Sobol/Agência Magnum

O que é uma obsessão? É algo que nos move ou que nos paralisa? Ajuda-nos a seguir numa direcção ou cega-nos perante novas possibilidades? A agência Magnum propôs aos seus fotógrafos que respondessem a estas questões com uma imagem (e uma pequena legenda). David Alan Harvey, Elliot Erwitt, Matt Black, Robert Capa, Antoine D’Agata, Cristina de Middel, Bruce Gilden, Diana Markosian, Steve McCurry, Rafal Milach, Martin Parr, Paolo Pellegrin, Alessandra Sanguinetti e Alec Soth são alguns dos fotógrafos convidados.

A selecção inclui mais de 100 fotografias, que foram impressas em "qualidade de museu", autografadas pelos seus autores e carimbadas pela famosa agência. Estão agora à venda no site da Magnum — ao abrigo de uma iniciativa chamada Magnum’s Square Print Sale — entre os dias 10 e 14 de Junho por 100 dólares cada (cerca de 90 euros), um preço que a agência considera “simbólico”.

“Fiz esta imagem em Nova Orleães, durante a Mardi Gras, em 1993. Ela tornou-se parte de um projecto de longa duração de fotografias a cores por todo o território norte-americano, que deu origem a dois fotolivros. (…) Para mim, enquanto fotógrafo, este foi um projecto obsessivo. (…) Acredito que a obsessão é uma força poderosa que motiva mentes criativas.”
“Fiz esta imagem em Nova Orleães, durante a Mardi Gras, em 1993. Ela tornou-se parte de um projecto de longa duração de fotografias a cores por todo o território norte-americano, que deu origem a dois fotolivros. (…) Para mim, enquanto fotógrafo, este foi um projecto obsessivo. (…) Acredito que a obsessão é uma força poderosa que motiva mentes criativas.” ©Constantine Manos/Agência Magnum
“Sou obcecado por cães – porque eles me fazem lembrar pessoas, mas com mais pêlo.”
“Sou obcecado por cães – porque eles me fazem lembrar pessoas, mas com mais pêlo.” ©Elliott Erwitt/Agência Magnum
“Durante umas férias em família no deserto, parámos numa reserva de animais bíblicos chamada ‘Hai Bar’. A curiosidade e a ‘obsessão’ foi partilhada pelos meus filhos e pela avestruz. Eu sou obcecado por mãos, são o foco principal do meu trabalho, por isso a combinação foi perfeita.”
“Durante umas férias em família no deserto, parámos numa reserva de animais bíblicos chamada ‘Hai Bar’. A curiosidade e a ‘obsessão’ foi partilhada pelos meus filhos e pela avestruz. Eu sou obcecado por mãos, são o foco principal do meu trabalho, por isso a combinação foi perfeita.” ©Micha Bar-Am/Agência Magnum
“Sempre tive duas obsessões na minha vida: críquete e fotografia. Posso dizer também que o meu trabalho foi sempre acerca da Austrália e sobre a luz...”
“Sempre tive duas obsessões na minha vida: críquete e fotografia. Posso dizer também que o meu trabalho foi sempre acerca da Austrália e sobre a luz...” ©Trent Parke/Agência Magnum
“Este homem e o seu charuto chamaram a minha atenção nas ruas de Nova Iorque. A minha obsessão com charutos vem da ideia de um tipo de máfia que usa chapéu, anéis no mindinho e fuma charuto.”
“Este homem e o seu charuto chamaram a minha atenção nas ruas de Nova Iorque. A minha obsessão com charutos vem da ideia de um tipo de máfia que usa chapéu, anéis no mindinho e fuma charuto.” ©Bruce Gilden/Agência Magnum
“Não tenho a certeza de algum dia ter sentido necessidade de usar a palavra ‘obsessão’. Para mim, parece algo intrinsecamente insalubre. Gosto de paixão ou talvez, mais precisamente, entusiasmo. Sempre que viajo, fotografo instintivamente. Por isso nunca tenho férias.”
“Não tenho a certeza de algum dia ter sentido necessidade de usar a palavra ‘obsessão’. Para mim, parece algo intrinsecamente insalubre. Gosto de paixão ou talvez, mais precisamente, entusiasmo. Sempre que viajo, fotografo instintivamente. Por isso nunca tenho férias.” ©David Hurn/Agência Magnum
“Durante dez anos fotografei a migração russa no Canadá e o modo de vida tradicional dos migrantes.”
“Durante dez anos fotografei a migração russa no Canadá e o modo de vida tradicional dos migrantes.” ©Larry Towell/Agência Magnum
“Salvador Dali, muito fotografado por Halsman, tinha uma obsessão por matemática, misticismo e a relação entre os dois temas.”
“Salvador Dali, muito fotografado por Halsman, tinha uma obsessão por matemática, misticismo e a relação entre os dois temas.” ©Philippe Halsman/Agência Magnum
“Fotografei esta jovem mulher num festival de cavalos em Tagong, no Tibete. O seu sentido de estilo sobressaía pela camisa cor de esmeralda, que contrastava com os azuis e vermelhos vivos dos seus colares e da sua maquilhagem. O fundo vermelho completou a composição.”
“Fotografei esta jovem mulher num festival de cavalos em Tagong, no Tibete. O seu sentido de estilo sobressaía pela camisa cor de esmeralda, que contrastava com os azuis e vermelhos vivos dos seus colares e da sua maquilhagem. O fundo vermelho completou a composição.” ©Steve McCurry/Agência Magnum
“Um dia de Inverno: frio, húmido, cinzento. Berlim. A minha primeira visita à Alemanha e o muro estava a cair. Enquanto indivíduos, ficamos obcecados por todo o tipo de coisas. As culturas também. Alguns ficam obcecados em erguer o muro e outros por demoli-lo.”
“Um dia de Inverno: frio, húmido, cinzento. Berlim. A minha primeira visita à Alemanha e o muro estava a cair. Enquanto indivíduos, ficamos obcecados por todo o tipo de coisas. As culturas também. Alguns ficam obcecados em erguer o muro e outros por demoli-lo.” ©David Alan Harvey/Agência Magnum
“Esta imagem foi decisiva na minha carreira de fotógrafo. Após a minha primeira viagem longa no estrangeiro, disse à minha esposa e pais que nunca mais viajaria. Calor, doença, sujidade, todo o desconforto de viajar na Índia afectou-me profundamente. Só após ver esta imagem, e outras que fiz lá, decidi regressar.”
“Esta imagem foi decisiva na minha carreira de fotógrafo. Após a minha primeira viagem longa no estrangeiro, disse à minha esposa e pais que nunca mais viajaria. Calor, doença, sujidade, todo o desconforto de viajar na Índia afectou-me profundamente. Só após ver esta imagem, e outras que fiz lá, decidi regressar.” ©Carl De Keyzer/Agência Magnum
“Desconheço a razão, mas a água está muitas vezes presente nas minhas fotografias. É como se se tratasse de uma obsessão inconsciente.”
“Desconheço a razão, mas a água está muitas vezes presente nas minhas fotografias. É como se se tratasse de uma obsessão inconsciente.” ©Emin Ozmen/Agência Magnum
“A guerra é uma constante repetição dos mesmos acontecimentos. Acabas a fotografar o mesmo cenário vezes sem conta. É desilusão a repetir-se. Eu tento, de algum modo, reconciliar-me com aquilo que vejo e sinto (…) O que estou a fazer diante desta árvore nesta aldeia abandonada? Faz sentido procurar algo bonito na guerra? Ainda faz sentido documentar conflito? Para quem estou a fazer isto?”
“A guerra é uma constante repetição dos mesmos acontecimentos. Acabas a fotografar o mesmo cenário vezes sem conta. É desilusão a repetir-se. Eu tento, de algum modo, reconciliar-me com aquilo que vejo e sinto (…) O que estou a fazer diante desta árvore nesta aldeia abandonada? Faz sentido procurar algo bonito na guerra? Ainda faz sentido documentar conflito? Para quem estou a fazer isto?” ©Lorenzo Meloni/Agência Magnum
“A obsessão é vista quase sempre como algo negativo: uma fixação que se impõe sobre uma pessoa e que gera impotência. Mas uma obsessão pode ser intensamente positiva e mover-nos em direcção a um local ou um conjunto de ideais que deveria ser mais próximo.”
“A obsessão é vista quase sempre como algo negativo: uma fixação que se impõe sobre uma pessoa e que gera impotência. Mas uma obsessão pode ser intensamente positiva e mover-nos em direcção a um local ou um conjunto de ideais que deveria ser mais próximo.” ©Matt Black/Agência Magnum
“A arte é sempre sobre obsessão. A fotografia é sempre sobre memória passada. Eu sempre fui obcecado pela memória. Ou, mais precisamente, pela falta dela, pela minha própria amnésia e pela de um grande número de sociedades e países que se recusam a lembrar os períodos negros da sua história. Eu preocupo-me e sou obcecado pela repetição da História. Este menino judeu que fotografei em Paris nos anos 80 lembra-me consciente ou inconscientemente da famosa fotografia de uma criança no gueto de Vasóvia.”
“A arte é sempre sobre obsessão. A fotografia é sempre sobre memória passada. Eu sempre fui obcecado pela memória. Ou, mais precisamente, pela falta dela, pela minha própria amnésia e pela de um grande número de sociedades e países que se recusam a lembrar os períodos negros da sua história. Eu preocupo-me e sou obcecado pela repetição da História. Este menino judeu que fotografei em Paris nos anos 80 lembra-me consciente ou inconscientemente da famosa fotografia de uma criança no gueto de Vasóvia.” ©Patrick Zachmann/Agência Magnum
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