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Herança industrial na base do futuro empresarial

A centenária Empreza Electro-Cerâmica de Gaia dá hoje lugar a um parque empresarial que acolhe cerca de 200 empresas de diferentes áreas. No Candal Park, “faz-se futuro” com base na história de uma das empresas mais importantes e inovadoras do sector.

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O primeiro edifício dos 75.000 m2 do parque empresarial do Candal, em Vila Nova de Gaia, não deixa esquecer a origem do complexo industrial e dá-nos as boas-vindas à centenária Empreza Electro-Cerâmica. Apesar de já não se produzirem componentes eléctricos, a empresa soube adaptar-se às dificuldades e às necessidades do mercado e da região.

Infra-estruturas para acolher novos projectos, independentemente das áreas de negócio, é a base da missão do Candal Park. No entanto, criar valor para as empresas vai muito além da mera gestão de espaços: neste parque empresarial, que lembra uma pequena vila, os serviços disponibilizados vão desde a restauração a um posto de correios. Localizado num sítio estratégico, próximo das principais vias de comunicação rodoviárias e ferroviárias, está no coração do eixo Porto-Gaia.

“Passado industrial, presente empresarial” é a assinatura do Candal Park e é com base nesta promessa que gerem o complexo. Constituída em 1919, a Electro-Cerâmica começou por se focar na fabricação de material eléctrico de baixa tensão – interruptores e isoladores cerâmicos, por exemplo. Caso quase único, pode dizer-se que teve um papel fundamental na electrificação do país. Na década de 30, o investimento em investigação e desenvolvimento de isoladores cerâmicos fez do laboratório da Electro-Cerâmica uma referência europeia.

Elizabete Ruge, directora do Candal Park, não hesita: “Há 100 anos, já era um projecto inovador.” Em 1936, a empresa começou a produzir também loiça doméstica e estabeleceu um acordo com a Fábrica de Porcelana da Vista Alegre, que adquiriu 50% da companhia e que mais tarde, em 1945, acabaria por comprar a Electro-Cerâmica. No entanto, o contexto europeu não foi favorável ao crescimento da empresa, que quase faliu. A recuperação só foi possível pela posterior electrificação da rede pública nacional e das exportações, graças ao crescimento económico internacional.

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Com um passado incontornável, Elizabete Ruge explica, então, a viragem da indústria para centro empresarial: “Apesar de tudo, as condições não eram as melhores para a indústria e a empresa acabou por fazer uma cisão das actividades que tinha. Separou as unidades de fabricação, criou uma empresa autónoma para produzir material eléctrico, uma empresa autónoma para produzir isoladores cerâmicos e depois aqui “sobraram” os edifícios que a própria Electro-Cerâmica começou a gerir e fez esta reconversão para parque empresarial.” Pioneiros nos parques empresariais a Norte, desde 1989 que o complexo industrial da Electro-Cerâmica acolhe empresas das mais diversas áreas.

De duas empresas a quase 200 negócios

Elizabete Ruge está no Candal Park praticamente desde o início do parque empresarial. “No início, eram duas empresas. Hoje o parque acolhe quase 200.” Com espaços para alugar que vão dos 20 aos 500m2, o parque tem acompanhando o crescimento das empresas. “Temos empresas de menor dimensão, que ocupam áreas de 20 ou 30m2 – start-ups, por exemplo, instalam-se em espaços mais pequenos. Muitas dessas empresas acabam por crescer e mudam-se para espaços maiores. Acabamos por ter crescimento de empresas cá dentro, empresas que crescem connosco.”​

Para Batista Pires, da administração, o Candal Park distingue-se: “pela experiência, porque efectivamente o Candal Park tem 30 anos de experiência nesta actividade de arrendamento de espaços. Depois pela tradição, porque tem cem anos de indústria e comércio e um bocadinho de emoção, porque o país inteiro tem peças da Electro-Cerâmica, toda a rede eléctrica nacional tem peças, em todas as nossas casas há interruptores ou isoladores feitos aqui - no fundo também temos aqui a tal história e emoção.”

“A diversidade traz sinergias”

“A nossa missão é prestar um serviço de qualidade para garantirmos a sustentabilidade nossa e dos nossos parceiros, com qualidade de serviços. Se tivermos a satisfação dos nossos parceiros, temos a nossa sustentabilidade. Queremos ser reconhecidos como uma empresa amiga, uma empresa parceira e amiga”, enfatiza Batista Pires. A proximidade entre a gestão do parque e os parceiros é um dos factores diferenciadores. “Face a face as coisas funcionam muito melhor. Estamos sempre presentes.”​

Licenciado para comércio e indústria, com infra-estruturas comuns de apoio e promoção interna de actividades, um dos objectivos do Candal Park é conseguir diversidade, “porque a diversidade traz sinergias”, explica Elizabete Ruge. Muitas das empresas residentes são da área da tecnologia, do Têxtil e da Engenharia. Têm também salas preparadas para a apresentação pontual de colecções de moda, um serviço bastante procurado por empresas da área do Têxtil e do Calçado.

Para a administração do parque, é essencial que sejam “reconhecidos como economicamente saudáveis, ambientalmente sustentáveis, socialmente responsáveis e legalmente assertivos.” Sobre o futuro, Batista Pires reconhece que a intenção é continuar a desenvolver o parque e investir de forma sustentada. “O maior desafio é continuamos a crescer, prepararmo-nos para ser relevantes neste eixo da centralidade Candal-Boavista.” No entanto, a acessibilidade ainda é uma condicionante: “Já tivemos grandes empresas a quererem mudar-se para cá, mas a acessibilidade para esta zona, desde o centro do Porto, ainda é um problema.Apesar da Estação das Devesas ser muito próxima do parque, a extensão da linha do metro, prevista para 2022, poderá trazer outras perspectivas para o crescimento do Candal Park.