Estudo conclui que um copo a mais não é desculpa para maus comportamentos

Estudo revisto e publicado pela Springer avalia reacções de quem bebe demais.

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O álcool altera a capacidade de compreender as emoções Michael Discenza/Unsplash

O álcool desinibe e faz com que a maioria das pessoas sob o seu efeito sinta coragem para dizer coisas que, em estado sóbrio, nunca diria. No entanto, um estudo publicado pela Springer, editora de livros e textos académicos, indica que isso não significa que “o copo a mais” possa ser justificação para todo o tipo de comportamentos desadequados e que não há tal coisa como “ter mau vinho”.

Ao longo dos anos, foram várias as investigações que procuraram explorar o efeito do excesso de álcool nos comportamentos. E quase todos chegaram à mesma conclusão: alguém embriagado perde a capacidade de compreender emoções e interpretar a situação à sua volta, revelando ausência de empatia. Daí que a tendência de quem está menos embriagado seja de desculpar atitudes menos correctas a quem apresenta uma bebedeira maior. 

Porém, dizem agora os investigadores, não há grandes motivos para desculpar as incorrecções sob o efeito do álcool — dos outros ou as próprias. É que, se é verdade que o álcool rouba a empatia, não altera os padrões morais do indivíduo nem a capacidade para distinguir o certo do errado. 

Durante o estudo, uma experiência envolveu dar a beber shots de vodka a um grupo de participantes que, posteriormente, foram convidados a ver pessoas com diferentes expressões emocionais. E, depois de muitas doses daquela bebida, as reacções começaram a revelar-se desadequadas: havia quem reagisse com uma gargalhada a uma imagem de alguém a chorar e quem ficasse deprimido com um retrato de felicidade. O observado permitiu concluir que, sem dúvida, a capacidade de compreender as emoções ficara deturpada.

No entanto, numa segunda fase, cada pessoa do grupo foi instigada a tomar uma decisão moral perante uma situação simulada. E a conclusão foi surpreendente: as vontades expressas eram coincidentes com os julgamentos feitos ainda sóbrios, sendo assim coerentes com os seus valores morais. Ou seja, diz o documento publicado, o álcool não altera a nossa personalidade, logo a responsabilidade dos actos é exactamente a mesma: seja com ou sem os copos.