EUA não ficaram surpreendidos com anúncio nuclear iraniano

Governo iraniano anunciou que está a usar centrifugadoras avançadas para aumentar reservas, contrariando o acordo nuclear assinado em 2015. “Não estou surpreendido”, diz secretário de Defesa dos EUA.

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Mark Esper e Florence Parly abordaram novo afastamento iraniano do acordo nuclear Reuters/CHRISTIAN HARTMANN

A Agência de Energia Atómica do Irão (AEAI) anunciou que a partir deste sábado começaram a ser usadas 40 centrifugadoras avançadas com o intuito de aumentar as reservas iranianas de urânio enriquecido, que já tinham sido ultrapassadas em Julho. Esta decisão simboliza novo afastamento do país do Médio Oriente em relação aos compromissos nucleares celebrados em 2015 que não apanhou de surpresa os Estados Unidos.

O porta-voz da AEAI, Behruz Kamalvandí, argumentou que o Irão tem o direito de reduzir os compromissos celebrados no acordo nuclear de 2015, acusando uma das partes de não cumprir com as suas obrigações, depreendendo-se que falava dos EUA, que saiu do acordo em Maio de 2018.

“Não estou surpreendido com o anúncio de que o Irão irá violar o PACG [Plano de Acção Conjunto Global]”, afirmou, numa conferência de imprensa em Paris, o secretário de Estado da Defesa norte-americano, Mark Esper. Esper fez questão de salientar que esta não é a primeira quebra dos compromissos acordados há quatro anos, sublinhando a mensagem de que os EUA estavam preparados para o anúncio feito pelas autoridades iranianas este sábado.

Presente na mesma conferência, a homóloga francesa, Florence Parly, pediu a Teerão que “respeite o acordo de Viena”, garantindo que “os esforços diplomáticos” da França continuarão nesse sentido.

Também o Reino Unido prometeu manter pressão diplomática sobre o Irão. “Este terceiro passo de afastamento em relação aos compromissos celebrados no acordo nuclear é particularmente decepcionante, num momento em que nós e os nossos parceiros internacionais trabalhamos arduamente para aliviar a tensão com o Irão”, escreveu o Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico, numa declaração citada pela BBC.

Na cimeira do G7 em Biarritz, no final de Agosto, o Presidente francês Emmanuel Macron, liderou um esforço diplomático, propondo uma linha de crédito de 15 mil milhões de dólares (13,5 mil milhões de euros) para financiar a compra de petróleo iraniano. Em contrapartida, Teerão comprometia-se a voltar a respeitar os compromissos estabelecidos pelo acordo.

Este entendimento diplomático viria a ser desmentido pelos norte-americanos, tendo Donald Trump tomado a decisão de retirar o país do acordo nuclear, voltando a implementar sanções económicas ao Irão. Uma decisão que contribuiu para o reacendimento do conflito diplomático entre ambos os países.