Câmara do Porto cancela parceria com feira de artesanato do Natal

No final de Setembro, a autarquia avisou a Associação de Artesãos da Região Norte que este ano não poderia realizar o evento no Porto. Feira Artesanatus acontece há mais de 30 anos.

Mercado de natal
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Antes de chegar à Praça D. João I, feira passou pelo Mercado Ferreira Borges DR

 O descontentamento dos artesãos já fez notícia noutros anos, quando a Câmara do Porto mudou a geografia do evento da nobre Praça D. João I, onde se realizou por diversas vezes, para o Largo do Amor de Perdição, junto ao Centro Português de Fotografia. Mas, desta vez, a dimensão é outra: o vereador do turismo, Ricardo Valente, comunicou à Associação de Artesãos da Região Norte (AARN) que não haveria parceria e a feira não iria realizar-se. Nem em D. João I nem no Largo Amor de Perdição. Os artesãos não gostaram.

Hélder Coutinho sentou-se junto aos vereadores na reunião de câmara desta segunda-feira e foi duro nas acusações. A decisão, cujo aviso chegou a 26 de Setembro, em resposta a um email enviado pela AARN, causou “perplexidade e desconfiança” entre os profissionais. “É de estranhar a forma como são tratados os eventos nesta cidade”, afirmou o porta-voz da associação, falando de uma estratégia de “fechar a porta a uns e abrir uma janela para outros” e “acabar com um evento histórico” enquanto se apoiam eventos de “índole duvidosa”.

Admitindo que gostariam de instalar a feira Artesanatus na Praça D. João I mas mostrando-se disponível para outras soluções, Hélder Coutinho recordou estar em causa uma parceria nascida em 1988, onde se juntam entre 60 e 80 profissionais, e sublinhou os custos de um cancelamento tão próximo da data de realização (últimas semanas de Novembro). O vereador Ricardo Valente, candidato às eleições legislativas deste domingo pela Iniciativa Liberal, não estava presente na reunião para explicar a deliberação saída do seu gabinete, mas Rui Moreira assumiu as rédeas.

A estratégia da autarquia para a Praça D. João I já foi definida, grifou, e passa pela “promoção do comércio de rua” através da instalação de um recinto de animação, com pista de gelo, que não fosse “concorrência” e chamasse clientes para o comércio. “Aqui é um legítimo exercício do poder autárquico”, opinou.

Perante o pedido de diálogo de Hélder Coutinho e a intervenção da vereadora da CDU Ilda Figueiredo - que apelou à negociação e disponibilização de um espaço à AARN, ainda que não seja a Praça D. João I -, Rui Moreira aceitou agendar uma reunião da AARN com o vereador Ricardo Valente. “Às vezes não há plataformas de entendimento”, admitiu, não recusando o encontro: “Podemos ouvir as vossas reclamações...”