“14.000 Newtons", de Pedro Pires, escultura que integrou a primeira edição do Poldra.
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“14.000 Newtons", de Pedro Pires, escultura que integrou a primeira edição do Poldra. LUÍS BELO

Poldra: há cinco novas esculturas na Mata do Fontelo de Viseu

A segunda edição do Poldra — Public Sculpture Project Viseu arranca a 11 de Outubro e cinco novas esculturas vão pontuar a Mata do Fontelo, em Viseu.

A Mata do Fontelo de Viseu acolhe, a partir de sábado, 11 de Outubro, cinco novas esculturas, que se juntam a três já existentes, no âmbito de um projecto que visa dotar a cidade de uma colecção escultórica a céu aberto. O Poldra — Public Sculpture Project Viseu, que vai na segunda edição, conta este ano com trabalhos de Miguel Palma (Portugal), Elisa Balmaceda (Chile), Steven Barich (Estados Unidos da América), Natália Bezerra e Kaitlin Ferguson (Estados Unidos da América/Escócia) e Liliana Velho (Portugal).

A primeira edição ainda tem cá as três esculturas. Essas obras vão continuar no parque e vão cruzar-se com estas cinco que estamos a instalar, ou seja, vamos ficar com um percurso com oito obras”, disse aos jornalistas o director artístico do Poldra, João Dias, durante uma visita ao local.

O vereador da Cultura, Jorge Sobrado, frisou que o Poldra acontece mesmo depois de o parque arbóreo da mata do Fontelo ter sido afectado pelas tempestades Leslie (em Outubro) e Helena (em Fevereiro) apesar de decorrerem trabalhos de inventário, diagnóstico do estado de conservação e limpeza das árvores, em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e a Quercus.

Segundo Jorge Sobrado, o Poldra surgiu sobretudo por dois motivos: “Preencher uma lacuna que Viseu evidenciava ligada à criação contemporânea na área da escultura pública e da instalação” e para “valorizar artisticamente aquele que é um dos grandes patrimónios da cidade, que é a mata do Fontelo”.

O projecto pretende também incentivar “a relação entre a comunidade artística local e a comunidade artística internacional”, acrescentou.

Durante a visita, foi possível ver o início da instalação de algumas das obras, como a de Miguel Palma, que levou para a Mata do Fontelo uma bóia do estuário do Tejo que tinha há 20 anos no seu jardim, onde foi ganhando “uma espécie de geografia”. O artista explicou aos jornalistas que o objectivo foi transformar a bóia num planeta: “Acredito que neste parque vai continuar a ser uma vítima, no sentido em que as águas e as ferrugens vão continuar a atacar o continente.”

Inspirado em imagens de pedras, Steven Barich criará uma escultura de dois metros por dois com superfícies planas, nas quais as pessoas poderão deixar mensagens ou apenas o seu nome. “É um convite para as pessoas virem deixar a sua marca na peça”, explicou.

Elisa Balmaceda está a construir uma estrutura que permitirá observar o Sol e o céu e como a luz reflecte num espelho, enquanto a viseense Liliana Velho apresenta uma escultura em cerâmica, com uma espécie de bolsos nos quais as pessoas poderão colocar sementes ou flores e verem como mudam ao longo dos tempos.

Já a instalação de Natália Bezerra e Kaitlin Ferguson permitirá explorar os sons dos materiais locais, como as pedras, criando assim uma conexão com a natureza.

João Dias explicou que as esculturas desta edição “não têm de ser interactivas”, mas têm de permitir algo mais do que olhar, interagindo de alguma forma com o público.

O Poldra — Public Sculpture Project Viseu conta com 50 mil euros de financiamento do município. Cristina Ataíde (portuguesa, de Viseu), Pedro Pires (angolano) e Neeraj Bhatia (canadiano) foram os artistas responsáveis pelas primeiras três instalações do Poldra.