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Escritaria: Bairro dos Livros vai criar uma “casa de mãos” em Penafiel

Inspirado no poema As Mãos, de Manuel Alegre, o Bairro dos Livros vai criar uma “casa feita de mãos” no Escritaria, festival literário que se realiza de 21 a 27 de Outubro em Penafiel.

Uma “casa feita de mãos”: é este o projecto que o Bairro dos Livros quer realizar no Escritaria, festival literário de Penafiel que se realiza de 21 a 27 de Outubro. “Não são de pedras estas casas/ mas de mãos” foram os versos, do poema As Mãos, de Manuel Alegre, que serviram de mote à construção deste projecto.

A ideia é utilizar as mãos dos habitantes do bairro Fonte da Cruz, em Penafiel para, através de uma técnica de exposição ao sol – cianotipia – construir uma casa “tridimensional e iluminada”. Recorrendo a um químico, conseguem com que a luz solar incida no pano e ganhe cor, neste caso o ciano (tom de azul).

Para concretizar esta “casa”, foram escolhidos dois dias: 13 e 20 de Outubro, das 10h às 17 horas. Tendo como “palco” o espaço exterior do bairro Fonte da Cruz, durante esses dias estão também agendadas leituras de poemas de Manuel Alegre, em cuja obra se inspira esta edição do Escritaria.

Depois de completa, é no segundo dia de festival, 22 de Outubro, que a casa, com 20 metros quadrados, será exposta ao público. É inaugurada a 23, às 15h30, no Largo do Município, com Manuel Alegre os próprios moradores do bairro.

“O processo de construção da ‘casa’ é aberto ao público e esperamos receber entre 450 a 500 participações”, disse ao P3 Minês Castanheira que, a par de Catarina Rocha, Paulo Brás e Isabel Costa, integra o Bairro dos Livros.

O objectivo é mostrar que “os bairros não são espaços geográficos reconhecíveis apenas pela sua arquitectura, mas sobretudo pela comunidade que os habita”. “Todos deixam a sua marca, mesmo que esta não seja imediatamente visível”, adiantou em comunicado a organização. Assim, o projecto pretende chamar a atenção para a importância dos habitantes dos bairros e paralelamente das nossas mãos: “Se pretendêssemos fazer o retrato de alguém e não pudéssemos, por alguma razão, registar o seu rosto, as mãos seriam a resposta mais evidente.” Afinal, também é nelas que está a nossa identidade.