Crítica

Vertigens

Sem o fulgor de Happy Hour, confirma Hamaguchi como um cineasta sui generis.

,Asako I
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A história de uma mulher que amadurece e se torna "outra"
,Ryusuke Hamaguchi
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,Instituto de Arte de Cleveland
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,Festival de Cinema de Cannes de 2018
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Em Happy Hour, o filme que trouxe Ryusuke Hamaguchi ao conhecimento do público português, o mistério estava menos na narrativa do que no modo da narração. Eram cinco horas de filme, plenas de derivas, de cenas construídas com uma elasticidade variável e imprevisível, de “corredores” que afastavam e voltavam a aproximar as personagens em percursos de destino nunca certo. Asako I e II, que sucede a Happy Hour, funciona ao contrário. Mais convencional na duração e na estrutura, mais delimitado no número de personagens, é da narrativa e dos seus meandros que nasce, e cresce, a suspeita dum mistério. Tem-se falado muito num mistério do tipo de Vertigo, porque a história pode ser resumida assim: há uma rapariga (Asako) que se apaixona por um rapaz, o rapaz depois desaparece de um momento para o outro, e mais tarde a rapariga encontra outro homem, igualzinho ao primeiro (naturalmente, é o mesmo actor: Masahiro Hagashide) mas de personalidade diferente, por quem, por causa das parecenças, se volta a apaixonar, tal como no filme de Hitchcock sucedia a James Stewart com a Kim Novak I e II.