Anozero regressa a Coimbra entre artistas consagrados e emergentes

A Terceira Margem dá o mote à terceira edição da bienal de arte contemporânea, que arranca a 2 de Novembro e conta com com 20 obras comissionadas.

Silencioso
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The Last Silent Movie, de Susan Hiller dr

A terceira edição do Anozero – Bienal de Arte Contemporânea Coimbra, que decorre de 2 de Novembro a 29 de Dezembro, sob o tema A Terceira Margem, apresentará 20 obras comissionadas e, além de contar com artistas consagrados, procurará dar visibilidade aos que tiveram ainda poucas oportunidades de expor, avançou a curadora-adjunta, Lígia Afonso. 

A responsável falava aos jornalistas na conferência de imprensa de apresentação do programa da bienal, esta tarde, no Convento de Santa Clara-a-Nova. O edifício volta assim a receber o Anozero, funcionando com principal espaço de exposições da iniciativa que decorre de 2 de Novembro a 29 de Dezembro e que também ocupará o Convento S. Francisco, o Edifício do Chiado, a Sala da Cidade, as Galerias Avenida, os dois pólos do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) e vários edifícios da Universidade de Coimbra. 

A bienal, uma iniciativa do CAPC, da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) e da Universidade de Coimbra, conta este ano com a curadoria-geral de Agnaldo Farias e com a curadoria-adjunta de Lígia Afonso e Nuno de Brito Rocha. O tema parte do conto do escritor brasileiro João Guimarães Rosa, A Terceira Margem do Rio.

De acordo com a curadora-adjunta, a organização tentou dar igualdade nas condições de produção a todos os artistas, num esforço que passa não só por “dar visibilidade a artistas emergentes”, mas também àqueles “que tiveram poucas oportunidades” de expor. A lista de 39 artistas que participam no Anozero, previamente anunciada, conta porém também com nomes consagrados, como Anna Boughiguian, Leão de Ouro da bienal de Veneza em 2015 e cujas obras integram colecções do MoMA e do Guggenheim, ou Erika Verzutti, que acaba de expor no Centro Pompidou, em Paris.

Steve McQueen e Susan Hiller tinham sido outros dos nomes já avançados. Once Upon a Time (2002) é a instalação que o cineasta londrino, que começou a carreira como artista plástico, levará a Coimbra. Trata-se de uma projecção de slides que a NASA incluiu no disco que seguiu a bordo da missão Voyager II, em 1977. Já The Last Silent Movie (2007/2008) é a obra audiovisual de 22 minutos da artista norte-americana desaparecida em Janeiro deste ano que vai integrar a bienal. Lígia Afonso destaca ainda a obra que os artistas portugueses João Maria Gusmão & Pedro Paiva fizeram especificamente para a Anozero, a ser instalada no refeitório de Santa Clara-a-Nova.

Agnaldo Farias destacou o trabalho de difusão e produção de arte da bienal de Coimbra, destacando o “grande contingente de jovens” que participam no projecto. Além das exposições, o programa do Anozero conta com oficinas, leituras, aulas abertas e visitas acompanhadas. Há ainda programação convergente da bienal, que conjuga música cinema e arquitectura. 

Depois de se ter verificado um aumento de 2015 para 2017, o orçamento desta edição da bienal de Coimbra mantém-se em 500 mil euros. 75% deste valor é assegurado pela CMC, pela Universidade de Coimbra e pela Direcção-Geral das Artes, sendo que as contribuições de mecenas privados representam os restantes 25%.

Bienal fica com parte do convento

Em Novembro de 2018, a CMC deu início a um processo negocial com o Governo para que parte do convento de Santa Clara-a-Nova ficasse afectada à bienal. O edifício está incluído na lista de imóveis disponíveis no âmbito do Revive, programa que prevê a concessão a privados de edifícios públicos classificados, mas ainda não foi lançado o respectivo concurso. Questionada pelos jornalistas, a vereadora da Cultura, Carina Gomes, respondeu que não há ainda um protocolo assinado, mas que já estão definidas as áreas do convento a concessionar e a parte que fica para a bienal, via autarquia. Esses limites terão de ser incluídos no caderno de encargos que for a concurso, referiu.

A autarquia quer ficar com parte da cozinha e com vários espaços da cerca, como garagens e armazéns, por um período de 50 anos. Simultaneamente, a Câmara tem aberto as portas do convento para o mostrar a potenciais interessados. “A boa notícia é que será um lugar de inclusão, que é coisa que um hotel de cinco estrelas não é”, acrescentou o director do CAPC, Carlos Antunes. 

Na conferência de imprensa estiveram também o vice-reitor da Universidade de Coimbra, Delfim Leão, e o presidente da Turismo do Centro, Pedro Machado. As exposições da terceira bienal Anozero, à semelhança das edições anteriores, serão de entrada livre.