Da Tailândia a Arcozelo no palmarés do Doclisboa

Santikhiri Sonata, do tailandês Thunska Pansittivorakul, e Viveiro, de Pedro Filipe Marques, são os vencedores dos concursos de 2019, numa cerimónia onde foi também anunciada a nova direcção do festival, composta por Joana Gusmão, Joana de Sousa e Miguel Ribeiro.

<i>Santikhiri Sonata</i>
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Santikhiri Sonata
<i>Ne croyez surtout pas que je hurle</i>
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Ne croyez surtout pas que je hurle
<i>Viveiro</i>
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Viveiro

Prolongando o trabalho de dever de memória que já fora premiado em edições anteriores do Doclisboa, o grande vencedor da edição 2019 do festival de cinema documental debruça-se sobre o passado de uma área da Tailândia que foi deliberadamente apagada pelo governo, sob a forma de um ensaio-fantástico que integra formas de ficção. Santikhiri Sonata, do tailandês Thunska Pansittivorakul, leva o Grande Prémio da Competição Internacional, com o diário fílmico de seis meses de solidão de Frank Beauvais, Ne croyez surtout pas que je hurle, a receber o prémio do júri, composto pela actriz Leonor Silveira, pelos cineastas Mania Akbari e Billy Woodberry, pelo técnico de restauro Carlos Almeida, pelo coreógrafo Jérôme Bel e pelo crítico Juliano Gomes.

A Competição Portuguesa premiou Viveiro, terceira longa de Pedro Filipe Marques depois de A Nossa Forma de Vida e O Lugar que Ocupas, sobre o quotidiano do clube de futebol de Arcozelo, com Cerro dos Pios, reencontro do cineasta Miguel de Jesus com o pai e o local onde nasceu, a receber o prémio do júri, composto pela poeta e professora Golgona Anghel e pelos cineastas Daniel Hui e Ghassan Salhab. O único filme a receber mais do que um prémio foi também português –​ Rio Torto, curta de Mário Veloso produzida pela Escola Superior de Teatro e Cinema e exibida na secção Verdes Anos (filmes em contexto escolar), que recebeu o prémio Fernando Lopes para melhor primeiro filme português e o prémio Pedro Fortes para melhor filme português.

Também galardoadas foram duas outras longas nacionais. Serpentário, o road-movie cósmico de Carlos Conceição, venceu o prémio Revelação para primeira longa transversal a todas as secções, com exibição garantida nos canais TVCine. O prémio do público, transversal às várias secções e escolhido pelos espectadores do festival, coube à biografia de Zé Pedro dos Xutos & Pontapés, Zé Pedro Rock’n’Roll, dirigida por Diogo Varela Silva. No programa de apoio à criação e produção de documentários Arché, foram galardoados O Lugar Mais Seguro do Mundo de Aline Lata e Helena Wolfenson (melhor projecto em fase de pós-produção), Babado de Camila Freitas e João Vieira Torres (melhor projecto das oficinas de desenvolvimento) e La Memoria de las Mariposas de Tatiana Fuentes Sadowski (melhor projecto em fase de escrita).

Foi ainda anunciada a nova direcção do Doclisboa. Com a partida de Cíntia Gil, que vai dirigir o Sheffield Doc/Fest, as rédeas do festival passam para um “triunvirato” oriundo da actual equipa de programação. A actual directora executiva Joana Gusmão e os actuais coordenadores de programação Joana de Sousa e Miguel Ribeiro começam a partir de agora a preparar o Doclisboa 2020, que terá lugar de 22 de Outubro a 1 de Novembro do próximo ano.

O festival encerrou oficialmente este sábado com a ante-estreia de Technoboss de João Nicolau, embora haja ainda um forte programa de sessões no domingo. Os filmes premiados nesta edição poderão ser vistos no cinema Ideal até quarta-feira, dia 30, nas sessões das 18h e 22h; os detalhes destas sessões encontram-se no site oficial www.doclisboa.org

Palmarés

Competição Internacional

Grande Prémio: Santikhiri Sonata, de Thunska Pansittivorakul

Prémio SPA: Ne croyez surtout pas que je hurle, de Frank Beauvais

Menção especial: Um Filme de Verão, de Jo Serfaty

Competição Portuguesa

Melhor Filme: Viveiro, de Pedro Filipe Marques

Prémio do júri McFly SPF: Cerro dos Pios, de Miguel de Jesus

Prémio Escolas: Três Perdidos Fazem um Encontrado, de Atsushi Kuwayama

Verdes Anos

Melhor Filme: A Family Tale, de Natalia Ciepiel

Prémio especial do júri: The Rex Will Sail In, de Josip Lukic

Prémio Pedro Fortes para melhor filme português: Rio Torto, de Mário Veloso

Prémios transversais

Prémio Fernando Lopes para melhor primeiro filme: Rio Torto de Mário Veloso

Prémio Revelação / Primeira Longa-Metragem: Serpentário, de Carlos Conceição

Prémio Curta-Metragem: Tribute to Judas, de Manel Raga Raga

Prémio do Público: Zé Pedro Rock’n’Roll, de Diogo Varela Silva

Prémio Prática, Tradição e Património: O Último Sonho, de Alberto Alvares