O renascimento de um quadro de Botticelli deve-se a um programa de televisão

Museu Nacional de Gales trabalhou juntamente com programa da BBC 4 Lost Masterpieces.

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O quadro, que representa a Virgem e o Menino, faz parte da colecção do Museu Nacional de Gales Museu Nacional de Gales
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O Nascimento de Vénus (c.1485), de Botticelli, na Galeria dos Uffizi Galeria dos Uffizi

Uma pintura que estava identificada como uma cópia de Botticelli foi agora resgatada como uma obra do mestre do Renascimento italiano.

O quadro, que representa a Virgem e o Menino, faz parte da colecção do Museu Nacional de Gales e é surpreendente a semelhança do rosto da Madonna com a deusa do amor que vemos surgir das águas na obra O Nascimento de Vénus, pertencente à Galeria dos Uffizi, em Florença, e uma das obras mais famosas de Sandro Botticelli (1455-1510).

A identificação foi feita pelo programa Lost Masterpieces, transmitido esta semana pela BBC 4, que trabalhou com especialistas do museu, defendendo que esta é uma obra original do artista florentino. “Quando vi pela primeira vez a pintura nas reservas do museu, fiquei surpreendido com a extraordinária beleza do rosto da Virgem”, disse Bendor Grosvenor, historiador de arte e apresentador do programa. “Apesar de os vários repintes que a obra sofreu, partes dela lembravam-me a pintura mais famosa de Botticelli, O Nascimento de Vénus. Actualmente, estou convencido que Botticelli teve um papel importante na sua produção”, acrescentou Grosvenor, citado pela BBC Online.

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Esboço de um rosto masculino que a equipa de especialistas acredita ter saído da mão do mestre italiano Museu Nacional de Gales

A pintura encontra-se no museu de Cardiff desde 1952, tendo sido doada, antes da sua morte, por Gwendoline Davies, uma mecenas das artes do País de Gales, que acreditava tratar-se de um Botticelli saído do atelier do artista florentino. Davies e a sua irmã, igualmente uma coleccionadora, compraram a pintura em 1920 ao marchand inglês Hugh Blaker, que por sua vez a tinha adquirido à Christie's. Comprada num leilão por 105 libras (123 euros) em 1915, estava atribuída à Escola de Botticelli.

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A pintura representa a Virgem e o Menino, que tem na mão uma romã, símbolo da ressurreição Museu Nacional de Gales

A fortuna do quadro no museu nunca foi a melhor e a obra acabou guardada nas reservas durante décadas. Mas, depois da visita às reservas de Bendor Grosvenor, cujo programa vasculha as colecções públicas britânicas à procura de obras mal identificadas, a pintura foi submetida a um estudo por uma equipa do museu liderada pelo conservador Simon Gillespie, revelando as suas qualidades depois de uma intervenção de conservação e restauro. Fotografias de infravermelhos mostraram um desenho subjacente típico de Botticelli, como as mudanças introduzidas na área das mãos, e um esboço de um rosto masculino que a equipa de especialistas também acredita ter saído da mão do mestre italiano, diz o jornal WalesOnline.

“Os resultados são impressionantes e demonstram o papel fundamental que a conservação tem para entendermos o nosso património”, defendeu Adam Webster, conservador chefe do museu, citado pela imprensa britânica.

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O desenho subjacente que os especialistas acreditam ter a mão do mestre italiano Museu Nacional de Gales

Simon Gillespie descobriu também que a arquitectura renascentista que enquadra a Virgem e Jesus — que tem na mão uma romã, símbolo da ressurreição — é um acrescento posterior. O arco de desenho clássico terá sido pintado no século XX, provavelmente para esconder que o quadro tinha origem numa pintura de maiores dimensões.

Segundo a BBC, o museu decidiu conservar o acrescento, considerando que já faz parte da história da pintura. A pintura já está exposta em permanência nas galerias do museu.