Jóias com diamantes de valor inestimável roubadas de museu alemão

O Cofre Verde, um dos museus mais antigos do mundo, foi assaltado na madrugada desta segunda-feira. Foram roubados pelo menos três conjuntos de jóias. Os ladrões estão ainda em fuga. Dois aparecem nas câmaras de vigilância, mas poderão ter cúmplices. Jornal Bild diz que jóias roubadas valem mil milhões de euros. Directora de museus diz que são inestimáveis.

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Antigo e novo cofre verde
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O diamante verde que estava emprestado ao museu nova-iorquino
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O alfinete de cabelo que não foi roubado porque tinha estado numa exposição do museu e ainda não voltara à sua vitrina habitual

Três conjuntos de jóias do século XVIII com diamantes foram roubados na madrugada desta segunda-feira do Grünes Gewölbe, que podemos traduzir por Cofre Verde, um museu histórico de Dresden que guarda um dos maiores tesouros da Europa.

No total, estes três conjuntos incluem cerca de uma centena de peças, e o mais provável é que os ladrões os destruam para as tentar vender separadamente. Estas jóias são “de valor inestimável”, “é impossível dizer quanto valem”, garante Marion Ackermann, directora dos museus públicos desta cidade da Saxónia, aqui citada pela BBC.

Apesar destas declarações, o tablóide alemão Bild afirma que as jóias roubadas valerão qualquer coisa como mil milhões de euros, uma soma impressionante que está a ser citada pela imprensa internacional.

Os autores do roubo terão entrado por uma janela no rés-do-chão, forçando o gradeamento que a protegia. As autoridades do estado da Saxónia ainda não detalharam o sucedido mas o museu, criado em 1723 por Augusto, o Forte (1670-1733), eleitor (um príncipe com direito a eleger o imperador) da Alta Saxónia e mais tarde rei da Polónia, e instalado num antigo palácio real, está rodeado de carros da polícia e, naturalmente, fechado ao público.

As autoridades alemãs não estão ainda em condições de divulgar a lista final das peças roubadas. É possível que, para além destes três conjuntos de jóias, os assaltantes tenham levado outros objectos.

Estando os ladrões ainda em fuga, sabe-se apenas que por volta das cinco da manhã os bombeiros foram chamados a um local nas imediações do museu por causa de um incêndio num distribuidor de potência público. Especula-se agora, escreve a BBC, que este incêndio tenha servido para desactivar o alarme.

“Estes artigos não podem ser vendidos no mercado legalmente porque são demasiado conhecidos”, acrescenta a directora dos museus de Dresden, lembrando que a colecção tem outros sete conjuntos semelhantes, mas que todos são insubstituíveis. Marion Ackermann resiste a falar de dinheiro no contexto deste assalto porque a importância cultural — simbólica, histórica — destes conjuntos de jóias é muito superior ao seu valor material.

Para já a polícia sabe que estiveram envolvidas duas pessoas no roubo — as câmaras de vigilância mostram dois indivíduos dentro do museu —, mas não afasta a possibilidade de haver outros cúmplices.

As autoridades encontraram um carro incendiado na cidade esta manhã e estão a colocar a hipótese de ter sido usado pelos assaltantes em fuga.

O Cofre Verde, que recebeu o seu nome pelo facto de a decoração de algumas das suas salas incluir apontamentos de tinta de um verde semelhante ao da malaquite, uma pedra preciosa, tem uma riquíssima colecção histórica com jóias de várias épocas, além de peças de Limoges, de âmbar e de marfim, e um importante conjunto de esculturas em bronze da Renascença.

Entre o seu acervo com mais de quatro mil peças merece destaque Mouro com Prato de Esmeraldas (c. 1724), uma escultura feita pelo ourives real Johann Melchior Dinglinger, com Balthasar Permoser, precisamente para que Augusto, o Forte, pudesse mostrar no seu museu o impressionante conjunto de 16 esmeraldas negras das colecções da Saxónia, até então vistas por muito poucos.

Este conjunto saído de uma mina colombiana foi oferecido a Augusto I da Saxónia (1526-1586) pelo imperador romano-germânico Rodolfo II (1552-1612) e é por isso que o “mouro” que segura uma bandeja em tartaruga em que as esmeraldas aparecem incrustadas num bloco de pedra é, na realidade, um índio sul-americano com um requintado toucado e outros adornos. Destas colecções históricas, instaladas no piso térreo do museu, faz ainda parte uma safira de 648 quilates que foi um presente do czar da Rússia Pedro, o Grande.

O Cofre Verde tem o seu acervo dividido em dois grandes núcleos e a sua origem reside nas “câmaras de maravilhas”, os antepassados dos museus que hoje conhecemos, dos governantes da Saxónia. Foi seriamente afectado nos bombardeamentos aliados da Segunda Guerra Mundial, mas felizmente a sua colecção não se perdeu porque fora já posta a salvo na Fortaleza de Königstein, nos arredores de Dresden. Depois da guerra foi reconstruído.

Dizer que o museu teve sorte quando sofreu um roubo desta envergadura poderá parecer paradoxal, mas a verdade é que as coisas poderiam ter sido ainda piores se aquele que é considerado um dos seus mais espectaculares tesouros, um diamante verde de 41 quilates, não estivesse providencialmente emprestado ao Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, onde é uma peça em destaque na exposição Making Marvels: Science and Splendor in the Courts of Europe. Como o diamante em causa costumava estar exposto precisamente numa das vitrinas arrombadas, teria sido certamente roubado. O mesmo acontece, de resto, com um alfinete de cabelo do início do século XVIII, fabricado pelo grande mestre joalheiro Johann Melchior Dinglinger, que integrou a exposição Splendor et laetitia, que o próprio museu teve patente até ao passado dia 10 de Novembro para assinalar o tricentenário do casamento do filho de Augusto, o Forte, Frederico Augusto II, com Maria Josefa da Áustria. Por sorte, o alfinete ainda não volata a ser arrumado na sua vitrina, que foi igualmente arrombada pelos assaltantes. 

Notícia alterada para precisar que o valioso diamente verde que fora providencialmente emprestado ao museu nova-iorquino, e por isso escapou a este assalto, costumava estar habitualmente exposto numa das vitrinas arrombadas. 

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