R. Kelly com nova acusação: suborno junta-se a abusos sexuais, pornografia infantil, sequestro e trabalho forçado

O cantor terá criado um esquema para obter uma identificação falsa para uma menor.

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Uma das filhas do cantor chamou-o de “monstro” no Instagram Kamil Krzaczynski/Reuters

Os procuradores federais do Brooklyn divulgaram, na quinta-feira, uma nova acusação criminal contra o cantor R. Kelly, acusando-o de organizar o suborno de um funcionário público, como parte de um esquema que envolvia recrutar menores de idade para actividades de natureza sexual.

O cantor de R&B, de 52 anos, conhecido por hits como I believe I can fly e Bump ngrind, foi detido em Julho, em Chicago, sendo acusado tanto por procuradores federais de Brooklyn, Nova Iorque, como de Chicago. Em ambos os casos, Kelly declarou-se inocente.

Agora, os magistrados afirmam que, em 1994, Kelly fez com que outra pessoa subornasse um funcionário público para criar um documento de identificação falso para uma jovem identificada como “Jane Doe # 1”. No entanto, não é referido se o pagamento do suborno foi concretizado, se o documento falso chegou a ser emitido ou se Kelly abusou da rapariga em causa.

Décadas de acusações de abusos

Robert Sylvester Kelly, também conhecido como Pied Piper, o rei do R&B, Kellz​ ou simplesmente R., foi detido em Julho, mantendo-se privado de liberdade, com os seus julgamentos agendados para 27 de Abril, no caso de Chicago, e para Maio, no de Brooklyn. 

Kelly enfrenta um total de 18 acusações federais, incluindo pornografia infantil, sequestro e trabalho forçado. Em Brooklyn, Kelly é acusado ainda de extorsão e de aliciar menores, mantendo as raparigas longe de amigos e familiares e tornando-as dependentes dele financeiramente. Já em Chicago, os procuradores afirmam que o cantor teve contactos sexuais com pelo menos cinco menores, tendo gravado vídeos sexualmente explícitos de algumas dessas situações. Adicionalmente, acusam o homem de obstrução à justiça, com ameaças e subornos, que incluem o pagamento de centenas de milhares de dólares para manter as suas vítimas caladas.

Porém, as acusações de abusos sexuais por parte da estrela de R&B não constituem uma novidade. Já na década de 1990, Kelly foi alvo de várias acusações de abuso sexual a menores. Em 2002, foram formalizadas 13 acusações de pornografia infantil, as quais Kelly sempre negou — acabaria por ser absolvido em 2008.

Sobreviver a Kelly

No início deste ano, a estreia da série documental Surviving R. Kelly, no canal Lifetime (e que passou, em Portugal, no Crime+Investigation​, na última semana de Novembro), veio dar voz a várias mulheres que, na primeira pessoa, acusam R. Kelly de as ter usado. Aquando a estreia, o advogado do cantor negou todas as acusações de assédio sexual reveladas, afirmando que o documentário se tratava de uma “peça de sucesso com fins lucrativos, cheia de falsidades e erros”.

No entanto, as consequências não se fizeram esperar. Uma das suas filhas chamou-o de “monstro” no Instagram. “O monstro com o qual vocês estão todos a confrontar-me é o meu pai. Tenho perfeita noção de quem e do que ele é. Eu cresci naquela casa”, escreveu. Já Lady Gaga e Chance, que tinham trabalhado com o Kelly no passado, vieram a público pedir desculpa e lamentar as suas colaborações, com a primeira a prometer retirar o tema Do what you want das plataformas de streaming

Cerca de um mês depois da estreia da série, o músico foi formalmente acusado de dez crimes de abuso sexual agravado, nove dos quais contra menores, e entregou-se às autoridades.

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