Cartas ao director
Uma no cravo, outra na ferradura
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A Europa é “muito amiga do ambiente”, mas: 1- Ainda não eliminou as centrais térmicas a carvão; 2 - Ainda não reverteu espaço agro-pecuário em carvão.
Mas o pior de tudo é que na Europa já se usa o avião, como se de um táxi se tratasse. As operadoras de baixo custo conseguiram colocar o preço de uma viagem igual à de dois maços de tabaco. A Europa é o continente que tem mais aviões no ar em cada minuto, quando ainda não existe tecnologia que permita emissões zero neste meio de transporte.
Por cada avião a operar, e calculando a sua pegada de CO2 ,é possível deduzir o equivalente em hectares de floresta ardida na Amazónia ou noutro local. Ou seja, a Europa é hipócrita sobre o tema da protecção do ambiente. E sobre a Amazónia, o pulmão do planeta, não se pode estar à espera que os oito países a que a floresta pertence protejam aquilo que nós não conseguimos fazer na nossa própria casa. Esta floresta (bem como o Ártico e a Antártida), no âmbito da ONU, já deveriam ter estatutos próprios, em que cada país seria taxado anualmente em função da sua população, da sua poluição, de modo a preservar a manutenção física e também a protecção militar destes habitats.
Angélica de Carvalho, Chaves
49.ª semana de 2019
Esta semana, a 49.ª de 2019, foi fértil em casos que mancharam a magistratura ao mais alto nível já que desde um juiz expulso, uma juíza aposentada compulsivamente, um outro investigado por alegada corrupção e até uma candidata a juíza detida por burla, tivemos de tudo. Pelo meio disto tudo, ainda ficamos a saber que há um juiz que já foi por 11 vezes desautorizado pela Relação. Ora todos estes casos fizeram-me recuar ao ano de 2012, vésperas de Natal e em que uma decisão de tribunal me revoltou de tal forma que escrevi esta carta com o título “50.º Semana de 2012” que, se me permitem, reproduzo pois infelizmente todos os dias continuamos a ver decisões similares.
“Parece o título de filme, mas infelizmente é a semana do ano que soubemos através dos media de mais uma vergonhosa injustiça que um juiz da Comarca de Lisboa sentenciou. Como é possível que um indivíduo, cadastrado, tendo torturado, queimado com o cigarro os olhos e os pés, fracturado um braço, pontapeado os órgãos genitais a uma criança de dois anos, filho da sua companheira e o meritíssimo juiz, tendo reconhecido que tinha ficado provado estar perante uma malvadez inqualificável, uma enorme crueldade e o seu autor ter ficado indiferente perante os actos cometidos, lhe tenha dado pena suspensa, justificando que seria para permitir a sua reinserção, esquecendo-se do perigoso sinal de impunidade que transmitiu à sociedade. Os actos de malvadez foram tais, que aquela criança ficou internada mais de quatro meses. Deixo-lhe aqui um pedido: nesta época natalícia, troque a toga por um fato de Pai Natal e leve àquele menino uma lembrança e um pedido de perdão. Já agora, se não voltar a vestir a toga, penso que fará um bom serviço a esta Justiça tão maltratada.”
Jorge Morais, Porto



