Fezes e danos em Machu Picchu. Peru detém e deporta turistas que entraram ilegalmente na cidadela

Grupo terá entrado à noite no monumento Património da Humanidade. Um turista assumiu os danos descobertos no Templo do Sol e aguardará julgamento. Para os restantes: ordem de expulsão e proibição de pisarem o país nos próximos 25 anos.

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Reuters

Eram 5h50 de domingo quando o pessoal do Parque Arqueológico Nacional de Machu Picchu descobriu um grupo de seis pessoas na cidadela na zona do miradouro do Templo do Sol, precisamente a admirarem o nascer do sol. Os seis turistas terão penetrado, durante a noite, no monumento, que tem entradas restritas e horários de visitas muito controlados. Mas as consequência da “invasão” terão sido piores do que o desrespeito pelas regras: os agentes, conforme queixa do Ministério da Cultura peruano, encontraram fezes no local e uma fenda no chão provocada por uma pedra que caiu de um muro e se partiu. Resultado: detenção, averiguações, indignação geral no Peru, e, agora, a deportação de cinco elementos e a obrigatoriedade de um deles, que assumiu a responsabilidade pelos danos físicos na estrutura, de permanecer no país enquanto durar o processo.

O argentino Nahuel Gómez, segundo adianta o jornal peruano La Republica, declarou ser o “autor do atentado” decorrido na cidadela. Em audiência judicial, decretou-se que deverá permanecer no país com termo de identidade e residência, devendo apresentar-se às autoridades enquanto decorrem as investigações. Gómez deverá também pagar uma “compensação” de 3000 soles (cerca de 810 euros).

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Imagem divulgada pela Dirección Desconcentrada de Cultura (Cusco) - integrada no Ministério da Cultura do Peru DR

O cidadão argentino é acusado de ser o responsável directo pela “fractura de um elemento lítico de um muro do Templo do Sol”, que, na queda, provocou uma fenda no chão. Os outros cinco elementos do grupo – um chileno, dois brasileiros, outro argentino e uma francesa, com idades compreendidas entre os 20 e os 32 anos, segundo refere a CNN – foram enviados para o Departamento de Segurança do Estado, em Cusco, aguardando os documentos oficiais de expulsão do país. Segundo adianta o La Republica, ficam proibidos de voltar ao Peru nos próximos 25 anos.

Quanto aos “danos” no monumento, o Ministério da Cultura peruano, que accionou a queixa à polícia contra os turistas, resume que o “elemento lítico que se desprendeu do muro” “caiu de uma altura de seis metros, aproximadamente, provocando uma fenda no chão”, acrescentando ainda que “além disso, encontrou-se matéria fecal”.

O chefe do parque arqueológico deste sítio Património da Humanidade segundo a UNESCO, José Bastante, detalhou, segundo resume o jornal Correo, que “o detido danificou de modo irreparável uma peça lítica, a qual tem valor incalculável e significa um atentado ao monumento original, pelo que pediu uma severa sanção”.

Já a nota oficial do Governo peruano termina com um aviso: “O Ministério da Cultura pede aos visitantes nacionais e estrangeiros que respeitem e protejam o Património Arqueológico da Nação, já que, a serem responsáveis por actos desta natureza, serão submetidos às acções administrativas e legais que a entidade promoverá em defesa e protecção do Património Cultural da Nação.” 

Em Portugal, nos últimos anos, entre os casos mais notórios de danos provocados por visitantes em peças, conta-se a queda da estátua de D. Sebastião na Estação do Rossio, em Lisboa, em 2016 (um turista subiu para o nicho para fazer uma selfie). No mesmo ano, no Museu de Arte Antiga, um visitante derrubou uma escultura do século XVIII, que se partiu em bocados.

O Peru do direito e do avesso

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