Greenpeace e grupos neonazis lado a lado em lista de contraterrorismo do Reino Unido

O documento policial inclui vários grupos sem ligação conhecida ao terrorismo.

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Protestos da Greenpeace em Bruxelas Reuters/YVES HERMAN

Organizações ambientalistas como a Greenpeace e o movimento Extinction Rebellion integram junto com grupos neonazis uma lista da rede de contraterrorismo britânica distribuído a pessoal médico e professores em acções de formação contra o extremismo, avança o jornal Guardian.

O documento, datado de Junho de 2019, é da responsabilidade da Counter Terrorism Policing (CTP) e é usado no âmbito de um programa pensado para identificar pessoas em risco de se radicalizarem. Na lista de grupos identificados, a Greenpeace aparece ao lado de organizações de extrema-direita como a National Front e a National Action, que foi banida por violência terrorista.

O comunicado apela à denúncia “de suspeitas identificadas devido ao documento” no portal online operado pela CTP. Segundo o Guardian, a polícia britânica insiste que o guia não pretende retratar todos os grupos identificados como extremistas e portanto merecedores de denúncias. Justifica ainda que o documento serve para ajudar os professores, por exemplo, a identificar e perceber muitos dos símbolos e organizações com que se podem deparar.

Ao mesmo jornal, o director executivo da Greenpeace, John Sauven, defende que “juntar defensores do ambiente e organizações terroristas no mesmo saco não vai ajudar a combater o terrorismo”. Elisa Allen, directora da Peta, organização contra o uso de peles de animais, também visada no documento, caracteriza as inclusões como “perigosas e antidemocráticas”.

Entre os grupos incluídos sem ligações conhecidas ao terrorismo estão a organizações comunistas, de solidariedade com a Palestina, contra o nuclear e activistas vegan, entre outros.

Na semana passada, um guia que identificava a Extinction Rebellion, grupo contra as alterações climáticas, como extremista, juntamente com organizações islâmicas e de extrema-direita, foi denunciado pelo mesmo jornal e assumido como um erro pelas autoridades.

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