Zona à volta do Aleixo era usada para consumir. Hoje, esse espaço de consumo e tráfico alargou-se a outras geografias Paulo Pimenta

Droga e drama social no Porto “pós-Aleixo” mobilizam notáveis

Álvaro Siza, Alexandre Alves Costa ou Sérgio Fernandez são alguns dos subscritores de uma carta aberta enviada a Rui Moreira e ministra da Saúde, que vão reunir-se na próxima semana. O drama dos vizinhos do extinto Aleixo e de consumidores “abandonados”

Quando pensa nos últimos meses, a professora universitária e ensaísta Rosa Maria Martelo percebe como ela e outros vizinhos andavam “um bocadinho iludidos”. Nas proximidades do demolido bairro do Aleixo, a vida dos moradores decorria com tranquilidade, apesar de o tráfico de estupefacientes se dar a poucos minutos das suas habitações todos os dias e vários consumidores gravitarem em torno das compridas torres com vistas para o Douro. O problema estava num espaço reduzido e a noção que tinham dele era parcial. Com o fim do Aleixo, em Maio passado, e o “alastrar” da situação, o alarme soou. Esta semana, três dezenas de moradores enviaram uma carta aberta a Rui Moreira e à ministra da Saúde para relatar o “grave problema de saúde pública e social” existente na cidade. Pedem uma resposta articulada entre administrações local e central – e não só para benefício deles: “É preciso ajudar os consumidores. Aquelas pessoas, no fim da linha, são provavelmente as mais prejudicadas”.