Líderes do PSD e CDS falam em “convergência” em torno das autárquicas

Rui Rio diz que referendo sobre eutanásia não está em cima da mesa, Francisco Rodrigues dos Santos apoia proposta de consulta popular.

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Rui Rio recebe delegação do CDS, encabeçada por Francisco Rodrigues dos Santos Rui Gaudêncio

Na sequência de um encontro de hora e meia, na sede social-democrata em Lisboa, os líderes do PSD e do CDS assumiram nesta quinta-feira que houve “convergência” entre os dois partidos, sobretudo, tendo as autárquicas no horizonte, mas não foi alinhado qualquer calendário nem a conversa incidiu sobre câmaras em concreto. Rui Rio foi cauteloso e colocou as relações entre os dois partidos no estado “normal”, enquanto Francisco Rodrigues dos Santos disse ver uma “ocasião favorável para uma estratégia de entendimento” sobre as eleições locais. Divergentes são as posições dos dois líderes partidários sobre a eutanásia.

Rui Rio não sobrevalorizou a reunião com Francisco Rodrigues dos Santos, rejeitando que haja agora maior proximidade entre os dois partidos. “Nunca estivemos distantes”, disse o líder social-democrata, lembrando que “historicamente o CDS foi parceiro na governação do país e em momentos difíceis” e de autarquias, como disse no congresso no passado fim-de-semana.

Questionado sobre se este encontro terá consequências práticas visíveis, Rui Rio disse ter havido uma conversa “normal”, “solta” e “simpática”, em que houve “alguma convergência de opinião” e “alinhamento” como “quase sempre ao longo da História”.

Relativamente a um entendimento sobre as eleições autárquicas, em que os dois partidos costumam concorrer coligados em muitos municípios, Rui Rio referiu que vai fazer-se o que é “normal” e que “sempre se fez”, que é deixar a decisão de coligação para as estruturas locais, existindo depois “alguma intervenção” da direcção. 

Já Francisco Rodrigues dos Santos, que foi o primeiro líder a falar aos jornalistas, pareceu mais optimista. “Está criada uma ocasião favorável para que CDS e PSD possam iniciar estratégia concertada a pensar nas eleições autárquicas, para que se consiga uma maioria centro direita. O PSD representa certamente o centro, e o CDS a direita democrática e popular, com vista a conquistar um maior número de câmaras ao PS”, disse. 

Maioria para reformas

Referindo que os dois partidos “têm um caminho autónomo”, o líder do CDS defendeu que o país precisa de uma maioria para fazer reformas como as da “justiça, sistema eleitoral e segurança social”, que são algumas das prioridades de Rui Rio. Esse “entendimento encontra correspondência em ambos os lados”, disse. Os dois partidos deverão fazer esforços para um alinhamento em torno de questões mais estruturantes. Em aspectos conjunturais é considerado vantajoso que sejam sublinhadas as diferenças. 

Relativamente à eutanásia, os dois líderes reiteraram posições divergentes. Rui Rio assumiu ser “tendencialmente” a favor, embora ainda não tenha decidido como vai votar os projectos de lei que vão ser debatidos na próxima semana. O líder do PSD evitou dar uma posição sobre uma eventual consulta popular. “O referendo não está em cima da mesa”, disse, assumindo que aquilo de que não se pode “fugir” é a votação de dia 20. “Vamos ver se ganha o sim ou o não”, disse, lembrando que os opositores à eutanásia perderam na votação de há dois anos e não avançaram com proposta de referendo.

Questionado sobre as posições de Cavaco Silva e de Passos Coelho em torno da eutanásia, Rio disse não querer alimentar polémica. 

O PSD vai dar liberdade de voto à bancada como Rui Rio já tinha reiterado, esta manhã, na reunião com os deputados. “Pedi ao grupo e cada um dos deputados para se comportar com a elevação adequada com a liberdade de voto. (…) Se a consciência diz que deve votar sim, deve votar sim. Se a consciência diz para votar não, deve votar não. Se tem dúvidas, deve abster-se”, afirmou.

Uma posição que contrasta com a que foi assumida pelo líder do CDS. É contra a eutanásia, mas votará favoravelmente uma proposta de referendo. Já sobre a liberdade de voto que é dada no PSD, Francisco Rodrigues dos Santos deixou um recado: “Os portugueses não votam na consciência dos deputados”.

Rui Rio foi ainda questionado sobre o motivo pelo qual não foram convocadas eleições para a direcção da bancada parlamentar. Na resposta, o líder social-democrata revelou que vai “prolongar um bocadinho mais” o seu cargo de presidente do grupo parlamentar por existirem “algumas tarefas” que se propôs  fazer, como “o regulamento interno e o saneamento financeiro, a comunicação e a reorganização administrativa”. O líder do PSD acrescentou que não queria sair da liderança da bancada “sem deixar isso arrumado”. Um processo que será “rápido”, mas que não será “menos de 15 dias, três semanas”. 

Já a pensar nas próximas eleições locais em 2021, o PSD anunciou um “grande encontro nacional de autarcas”, dentro de “dois ou três meses”, uma decisão aprovada por unanimidade na primeira reunião da nova comissão política nacional de Rui Rio.

A ideia é trabalhar para uma estratégia comum que possa servir de “trampolim” para a elaboração dos programas locais, de acordo com o vice-presidente social-democrata David Justino, apontando como exemplo a política ambiental na redução do carbono.

Outra das decisões aprovadas por unanimidade na comissão política nacional desta tarde foi a nomeação de Joaquim Sarmento, actual porta-voz das Finanças, para presidente do conselho estratégico nacional (CEN), substituindo no cargo David Justino, como o PÚBLICO escreveu no passado sábado.

O vice-presidente disse acreditar que a nomeação de Joaquim Sarmento significa um “novo élan” no CEN no sentido de um maior “envolvimento da sociedade civil” nos debates e propostas do partido sobre políticas públicas.

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