Torne-se perito

Lesão de Pedro Sousa impediu um sorriso maior

Português de 31 anos disputou a final do Argentina Open sem estar nas melhores condições.

Foto
LUSA/Juan Ignacio Roncoroni

Pedro Sousa foi dos primeiros tenistas a chegar a Buenos Aires e logo no primeiro treino teve como parceiro… Casper Ruud. O que o tenista português não imaginava nessa altura é que iriam voltar a encontrar-se no derradeiro dia do Argentina Open, depois de ter sido repescado do qualifying e ter beneficiado da desistência do adversário das meias-finais. Pena que a estreia do lisboeta de 31 anos em finais do ATP Tour fosse condicionada por uma lesão contraída nos quartos-de-final. Mas nem a vitória de Ruud, em dois sets, apagou o sorriso de contentamento de Sousa.

“Cheguei há quase duas semanas, para jogar um par de encontros e nunca pensei estar aqui na final. Tive que lavar roupa duas vezes, pedir cordas emprestadas a [Guido] Pella”, brincou Sousa, na cerimónia de prémios. Na conferência de imprensa, o lisboeta foi peremptório: “Esperei 30 anos para chegar à minha primeira final e iria jogar fosse como fosse. Nunca pensei em abandonar apesar das dores”. No 13.º ano no circuito profissional e sem nunca ter conseguido ultrapassar os quartos-de-final num torneio do circuito ATP, Sousa tornou-se no terceiro português e o mais velho a estrear-se numa final de singulares (primeiro como lucky loser).

Sousa entrou no court Guillermo Vilas com a perna esquerda ligada devido a uma pequena lesão no gémeo e depressa se perceberam as suas dificuldades na movimentação. Dois breaks, depois de estar em ambos os jogos a comandar por 40-0, decidiram o set inicial.

Duas duplas-faltas contribuíram para o break inaugural do segundo set, no qual Sousa conseguiu elevar o nível de jogo, contagiando o público, cujo apoio atingiu o auge quando o lisboeta salvou um match-point. Só que Ruud esteve muito sólido no serviço e não enfrentou qualquer break-point até concluir, ao fim de uma hora e 11 minutos, com os parciais de 6-1, 6-4.

O norueguês de 21 anos já tinha estado numa final do circuito principal, no ano passado, no ATP 250 de Houston, antes de terminar essa época entre os oito que disputaram as Next Gen ATP Finals. Neste domingo, o tenista radicado na Rafa Nadal Academy recebeu o seu primeiro troféu como vencedor das mãos da campeã do US Open de 1990, Gabriela Sabatini, e sobe ao 34.º lugar, o seu melhor ranking de sempre.

Além do cheque de 52 mil euros, Sousa amealhou 150 pontos que lhe permitem subir do 143.º para o 107.º lugar do ranking. Por não poder disputar o qualifying do Rio Open, no qual estava inscrito, Sousa recebeu um “special exempt” para entrar no quadro principal deste ATP 500, mas só na terça-feira, já no Rio de Janeiro, irá avaliar se está em condições de competir.

No quadro final está também João Domingues (175.º) que, na segunda ronda do qualifying, derrotou o italiano Federico Gaio (125.º), por 3-6, 7-6 (7/5) e 7-5, após salvar dois match-points a 4-5.