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Passageiros vindos de Milão apontam calma em Itália, mas pedem maior controlo

Aeroporto de Malpensa não controlou temperatura dos passageiros. Portugueses garantem que situação nas principais cidades italianas permanece calma.

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Regina Zhu, residente em Hong Kong, e a filha mais velha Manuel Roberto
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Gabriela Ramos (à direita) diz que mais pessoas começaram a usar máscaras depois das notícias das primeiras mortes Manuel Roberto
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Passageiros referiam que não existiu controlo de temperatura em Milão Manuel Roberto
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Rita e Gonçalo estavam na Lombardia e conseguiram sair da região antes do encerramento das estradas Manuel Roberto
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Ana Lopes e Paulo Cruz dizem que situação permanece normal Manuel Roberto
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Muitos passageiros usavam máscara como forma de protecção Manuel Roberto

Na secção das chegadas do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, vários passageiros usam máscaras como forma de protecção. Os portugueses que chegavam de Milão, no voo da TAP que partiu do aeroporto de Malpensa, esta segunda-feira, mostravam alguma surpresa com o facto de não terem sido submetidos a controlos de temperatura em Itália. Um segundo doente proveniente desta cidade italiana deu entrada no Hospital de São João esta segunda-feira, depois de um primeiro viajante ter testado negativo. Apesar de reconhecerem a gravidade da situação, os portugueses desdramatizam os impactos do surto de Covid-19 na vida da região Norte de Itália.

“Nos primeiros dias não sentimos efeitos. Depois, com o surgimento das notícias e as primeiras mortes, começámos a ver mais máscaras na rua. Mas não reparámos em falta de produtos nos supermercados ou algo do género”, explica Gabriela Ramos ao PÚBLICO.

Apesar de considerarem que não há motivo para alarme, alguns portugueses estranharam o facto de o aeroporto de Malpensa, o maior aeroporto internacional da área de Milão, não estar a fazer o controlo de temperatura aos passageiros. Apesar de a grande parte das pessoas não ter sido afectada directamente pelo vírus, o PÚBLICO encontrou um casal que esteve instalado no “olho do furacão” do surto no país.

“Estávamos em Sondrio, no Norte de Itália, e fomos avisados de que as autoridades iam começar a cortar as estradas”, relembram Rita e Gonçalo. O casal estava instalado numa comuna da região da Lombardia, área onde foi detectado o primeiro infectado com o Covid-19. Alguns supermercados começaram a ficar sem produtos, depois de as autoridades terem aconselhado as pessoas a ficarem recolhidas nas residências. “Instalou-se um bocado o pânico”, reconhecem.

Remarcaram à pressa o voo de regresso que apenas estava agendado para a próxima quinta-feira. No aeroporto de Malpensa, em Milão, o casal ficou surpreendido com a falta de consciencialização. “Chegámos a ser criticados por usar máscara. Há uma certa revolta pela falta de noção. Tivemos de percorrer todo o aeroporto à procura de um desinfectante. Nem na farmácia tinham. Na zona de embarque, não fomos sujeitos a qualquer controlo. Aqui em Portugal também não”, referem.

Em outros aeroportos, porém, as autoridades italianas realizaram o controlo térmico dos passageiros. Em Veneza, onde o tradicional Carnaval foi cancelado devido ao surto, os passageiros eram analisados. Também em Roma está a ser feito o controlo de temperatura. “Em Roma Ciampino, fizemos testes térmicos. Estivemos em frente a uma câmara onde nos avaliaram a temperatura”, explica Cristiana Rebelo.

“Em Hong Kong não se acredita no que diz a China”

Apesar de as máscaras não serem incomuns no aeroporto do Porto, duas figuras prendiam a atenção. Mãe e filha caminhavam lado a lado protegidas com máscaras. Regina Zhu reside com as filhas em Hong Kong, região administrativa da China com 79 casos confirmados de coronavírus, e decidiu regressar a Portugal como forma de proteger a saúde da filha mais nova. Escolas e outros serviços estão totalmente encerrados, explica a portuguesa, que denuncia o facto de ser difícil ter acesso a informação fidedigna sobre o surto.

“Moramos em Hong Kong há seis anos. Vivemos numa zona onde ainda não existem casos confirmados, mas há quatro semanas que estamos reduzidos às idas ao supermercado, ao fundo da rua, e a ficar em casa. As pessoas em Hong Kong não acreditam nos números da China. Há muita censura”, afirma.

O marido de Regina é natural de Wuhan, epicentro do surto de Covid-19. Estão todos em isolamento, à excepção do cunhado. A portuguesa garante que as autoridades obrigaram o cidadão chinês a percorrer residências da cidade em busca de potenciais infectados.“O meu cunhado foi obrigado a ser ‘voluntário’ e a ir verificar, de porta em porta quem estava doente, algo com bastante risco”, reitera.

Ao início da tarde, as autoridades italianas confirmaram a sétima morte resultante do surto de coronavírus. Todos os eventos públicos nas zonas de risco foram cancelados, incluindo o icónico Carnaval de Veneza, com o objectivo de conter ao máximo a propagação do vírus.

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