Covid-19: Professor português nos EUA teve teste negativo
Depois de Onésimo Almeida ter tornado pública a sua história, o departamento da Saúde de Rhode Island contactou-o para realizar os testes. “O meu médico garantira-me que não havia instruções e sobretudo que os médicos não tinham kits de testes.”
Onésimo Almeida, professor de Estudos Portugueses e Brasileiros na Universidade de Brown, em Providence, Rhode Island (EUA), foi testado para analisar se estava infectado com o novo coronavírus na tarde desta segunda-feira, após ter divulgado a recusa inicial das autoridades de saúde norte-americanas. Esta terça-feira à noite, o professor divulgou ao PÚBLICO que o teste deu negativo e que se tratou de um caso de gripe.
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O professor revelou esta segunda-feira ao jornal universitário The Brown Daily Herald que pediu para ser testado à Covid-19 após uma visita a Portugal, mas que o pedido foi recusado pelo Departamento da Saúde de Rhode Island.
Onésimo Almeida começou a ter sintomas compatíveis com a infecção pelo novo coronavírus a 23 de Fevereiro, data de regresso aos Estados Unidos, depois de ter estado no festival Correntes d'Escritas na Póvoa de Varzim, segundo conta ao PÚBLICO. Neste festival esteve também presente o escritor Luís Sepúlveda, que foi diagnosticado com CoVid-19 no sábado, 29 de Fevereiro. Também se suspeitava que sua mulher tivesse o vírus, mas os testes deram negativo.
“Moderei uma mesa em que tive à minha direita a Carmen Yañez, mulher do escritor Luís Sepúlveda” conta. Apesar de ter explicado esta situação ao Departamento da Saúde de Rhode Island, o pedido foi inicialmente recusado. “Explicaram-me que Portugal não estava na lista dos cinco países e um dos critérios fundamentais para ser testado era ter viajado para um deles”, diz.
Desde que a notícia saiu no jornal universitário, ligaram-lhe do departamento de saúde a dizer que já se qualificava para realizar os testes, o que relaciona com o facto de ter tornado público a sua história. “Ontem [domingo] escrevi uma carta ao Providence Journal que, em minutos, me ligou para uma entrevista e esta manhã [segunda-feira] publicou na primeira página um artigo sobre a resposta do Estado a esta crise citando o meu caso”, relata. Para além destes dois jornais, o professor foi também entrevistado para o New York Times.
Segundo o professor, a situação nos Estados Unidos é confusa. “O Washington Post de ontem saiu com um artigo sobre o caos reinante na Casa Branca e ausência de coordenação decente de uma resposta nacional. O que se passava em Rhode Island reflectia isso. O meu médico garantira-me que não havia instruções e sobretudo que os médicos não tinham kits de testes. Apenas o Estado tinha alguns, mas muito poucos e estavam a ser muito cuidadosos para não ficarem sem nada” afirma.
Onésimo Almeida, que sempre tomou os seus sintomas como uma gripe “mais forte que o habitual”, foi testado na tarde desta segunda-feira, quando admitiu ao PÚBLICO sentir-se “quase a 100%”, mas “num circo mediático” do qual pretendia fugir. Já na noite desta terça-feira, o professor revelou que os resultados deram negativo.
Notícia actualizada às 23h55, com informações sobre o resultado do teste