Um teste negativo bastará para que doentes com covid-19 sejam considerados curados

O número de vítimas mortais por covid-19 e o de casos positivos voltou a subir este sábado. Há mais 26 mortos e 595 novos casos confirmados. Quanto à incidência por região, o retrato mantém-se com o Norte a continuar a ser o mais afectado.

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Manuel Roberto

Os doentes com covid-19 que estão a ser tratados e acompanhados em casa vão passar a ser considerados curados após um único teste negativo e não dois, como acontece actualmente. A ministra da Saúde, Marta Temido, explicou este sábado que foi alterado o critério para declarar que um doente não internado está curado. Só no caso dos doentes que estão hospitalizados se mantém a regra dos dois testes, estipula a norma da Direcção-Geral de Saúde (DGS) que entra em vigor na terça-feira. ​

Na conferência de imprensa para o habitual balanço da situação epidemiológica, Marta Temido e a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, sublinharam que esta alteração surge em linha “com aquilo que outros países preconizam” para os doentes que não tenham precisado de ser internados e os artigos científicos publicados “nos últimos dias”. A norma da DGS estabelece ainda que passam a ser os médicos de família nos centros de saúde, em vez da linha SNS 24, a pedir e prescrever os testes de diagnóstico do novo coronavírus.

Frisando que a população tem que “aprender a viver com” a doença, Marta Temido lembrou que está em curso o trabalho de preparação de um eventual desconfinamento e explicou que o alívio das restrições está a ser ponderado em função de três critérios. Em primeiro lugar, critérios epidemiológicos que evidenciem que a infecção pelo novo coronavírus está controlada, além de critérios que demonstrem que as unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) têm capacidade de responder às necessidades, tanto de doentes covid como não covid, e, finalmente, critérios de vigilância que incluam a resposta a testes, rastreio de suspeitos e isolamento de casos, elencou. 

“Na última semana temos trabalhado intensamente na preparação de um eventual desconfinamento”,  mas isso “não significa que o problema está ultrapassado”. “Apenas começamos a antecipar a luz ao fundo do túnel, mas ainda não chegamos lá”, avisou.

Referindo-se aos doentes não covid que têm sido penalizados devido à suspensão da actividade programada, Marta Temido adiantou que os hospitais e os centros de saúde vão começar a reagendar consultas, exames de diagnóstico e cirurgias mas com desfasamentos de horários ao longo do dia e da semana para evitar o risco de contágio. Em Março, disse, houve menos 185 mil episódios de urgência do que a média nos hospitais e adiado quase meio milhão de consultas nos centros de saúde e nos hospitais.

A ministra adiantou, a propósito, que se reuniu na sexta-feira com quase todos os hospitais públicos e que a remarcação da actividade normal vai ser “gradual e faseada”. Alguns hospitais já começaram a reprogramar a actividade suspensa, outros vão fazê-lo a partir de 4 de Maio, e “praticamente todos têm um calendário definido para a retoma”. Há regiões onde será possível uma “retoma precoce” da actividade, como o Norte Alentejano e a Beira Baixa, exemplificou.

Com um cravo na lapela, Marta Temido não quis deixar de assinalar o aniversário do 25 de Abril na conferência de imprensa. “O 25 de Abril é também o Serviço Nacional de Saúde”, enfatizou. “Quando o SNS, com o empenhamento dos profissionais de saúde, respondeu com eficácia num quadro tão difícil, penso que se fez a prova de que tinham razão os que o construíram”, afirmou, sublinhando que os mais novos têm “a obrigação de o manter como um pilar fundamental”. Não assinalar o 25 de Abril era dizer que vivemos bem sem ele”.

Comentando a ausência de máscaras nos participantes na cerimónia de comemoração do 25 de Abril no Parlamento, a directora-geral da Saúde defendeu que os deputados deram “um exemplo de como se pode compatibilizar a comemoração de uma data importante para o nosso país com regras de controlo de infecção, com regras de segurança, com regras de protecção da saúde”. “Que fique claro que nós dizemos sempre que as máscaras podem e devem ser usadas em meios interiores, quando esses meios interiores não permitirem o distanciamento social”, precisou Graça Freitas.

A propósito do inquérito serológico nacional que o Instituto Português de Saúde Dr. Ricardo Jorge projecta começar em Maio para determinar a percentagem da população portuguesa que pode estar imunizada contra o novo coronavírus, a directora-geral alertou para as dúvidas sobre este tema que são partilhadas pela Organização Mundial da Saúde, a comunidade científica e muitos especialistas.

“Estamos a fazer um caminho de aprendizagem destes testes serológicos”, disse. “À data, nós não conseguimos, com segurança, interpretar estes resultados. Há presença de anticorpos, mas não sabemos ainda interpretar essa presença. Se são em quantidade suficiente, se essa quantidade é suficiente para dar protecção, se essa protecção vai durar durante muito ou pouco tempo”, especificou Graça Freitas.

Há 1277 doentes recuperados

O número de vítimas mortais de covid-19 voltou a subir em Portugal este sábado. De acordo com o último boletim epidemiológico da DGS, registam-se mais 26 mortos, o equivalente a uma taxa de crescimento de 3%. 

Também o número de infectados subiu nas últimas 24 horas com 595 novos casos positivos, o que corresponde a um aumento de 2,6% face aos números de sexta-feira. Desde o início do surto já se identificaram 23.392 casos positivos. O número de doentes recuperados também aumentou: são agora 1277, mais 49 do que na sexta-feira​.

Mas há menos pessoas internadas. São agora 1040, menos 28 do que na sexta-feira, e 186 estão em unidades de cuidados intensivos. 

Quanto à incidência por região, o retrato mantém-se com o Norte a continuar a ser a região do país mais afectada pela pandemia: regista neste momento 14.072 infectados e 502 mortos.​ A segunda região mais afectada é a de Lisboa e Vale do Tejo, com 5435 casos confirmados e 170 vítimas mortais.

As regiões menos afectadas continuam a ser as mesmas: os Açores, o Alentejo e a Madeira. Nos Açores, contam-se 111 casos de infecção e 8 mortos (número que se mantém desde sexta-feira), no Alentejo são 183 casos de infecção e um morto (número também se mantém) e na Madeira são 86 casos de infecção, sem mortos. O Algarve mantém os mesmo números de sexta-feira: 320 infectados e 11 mortos.

Aprofundado a análise na perspectiva da informação disponível no boletim por concelhos, verifica-se que o de Lisboa é o mais afectado, com 1346 casos confirmados de infecção. Segue-se Vila Nova de Gaia com 1180 casos e o Porto com 1120. A informação sobre os concelhos corresponde a 81% dos casos confirmados e notificados através do sistema Sinave, informa a DGS.

Dos 880 mortos, 178 tinham mais de 70 anos e 591 tinha mais de 80 anos. A taxa de letalidade da doença é superior entre os mais velhos.

Voltando à análise global e analisados os dados de todo o mundo - divulgados pela Universidade Johns Hopkins (dos EUA) - há agora no total mais de 2,8 milhões de casos positivos de infecção. De acordo com a mesma fonte, já morreram no mundo mais de 197.871 pessoas, enquanto 798.449 pessoas conseguiram recuperar da doença desde o início do surto. 

A Europa é um dos continentes mais afectados. De acordo com os dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), a Europa tem 1.191.120 de casos, seguida pela América com 1.072.680. Na Europa, Espanha é o país europeu que reporta mais casos positivos, seguida da Itália, Alemanha, Reino Unido e França.