A pandemia deu uma casa a Naraye e ele não quer voltar ao passado

O estado de emergência prolongou a estada nos centros de acolhimento à população sem-abrigo por mais de um mês. Como se tratam pessoas com dependências e se pede para que mantenham o confinamento? Com entrega de metadona, troca de seringas e consumo assistido garantido junto aos centros.

Naraye chega de sorriso rasgado e troca umas impressões com um técnico sobre o casaco novo que traz vestido. “Nice, nice.” Naraye é um nepalês de 29 anos que sucumbiu às drogas. Ele assume-o sem receios nem meias palavras. “Consumia muitas drogas e... a minha vida acabou. Ninguém quer saber de mim”. 

Está em Portugal há cerca de um ano. Já antes tinha estado em Lisboa, mas esteve fora dois anos e regressou no ano passado. Trabalhou num restaurante “durante cinco ou seis meses” e, com a pandemia, ficou desempregado. A família está longe — tanto física como emocionalmente —, no Nepal. E ele caiu na rua, sozinho, acabando por entrar no centro de acolhimento temporário montado pela Câmara de Lisboa no Pavilhão do Casal Vistoso, no Areeiro. 

“Estou aqui há um mês. É a minha casa. Deram-me um sítio para dormir, dão-me comida, apoiam-me. Sinto-me muito bem aqui”, diz o jovem. Aqui, também parou de consumir. “Estou a tomar metadona e estou bem agora.” Naraye é uma das 32 pessoas que, segundo dados da semana passada, estão neste momento nos quatro centros de acolhimento temporário criados pela autarquia para acolher a população sem-abrigo, e que estão inseridas no programa de substituição opiácea de baixo limiar — conhecido como metadona.

Como a estada nos centros se prolongou devido à propagação da covid-19, era preciso criar respostas “para pessoas com situação diversa”: casais, pessoas LGBTI, com mobilidade reduzida, com animais de estimação, mas também pessoas com dependências de álcool e drogas. 

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