Nos deixa de patrocinar Liga de futebol no final da próxima temporada

Decisão foi comunicada durante a tarde desta sexta-feira. Benfica abandona direcção da Liga.

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LUSA/ Paulo Novais

A Nos anunciou, esta sexta-feira, num comunicado a que o PÚBLICO teve acesso, que terminará o acordo de parceria com a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) após a temporada 2020-21. Segundo apurou o PÚBLICO, o Benfica já comunicou formalmente à Liga que se iria retirar da direcção da Liga. 

A Nos diz que a decisão resulta de uma avaliação feita nos últimos meses que determinou que os objectivos para a parceria “foram totalmente atingidos” após sete temporadas em que a Nos teve o papel de principal patrocinador e deteve o naming [nome] da competição. 

“A Nos vê muito positivamente o resultado da parceria, ao longo das últimas épocas, com a LPFP, que muito contribuiu para uma maior visibilidade da paixão que une os portugueses. O futebol português, com qual partilhamos os valores de ambição, proximidade e inovação, continuará a merecer um forte envolvimento da Nos, ainda que noutros formatos, e continuaremos a assumir um papel activo, colaborando com todos os agentes da modalidade na construção de um ecossistema que se pretende competitivo e sustentável”, escreve a empresa. 

Por sua vez, a Liga deixa uma “palavra de profunda gratidão” pela aposta da marca durante sete épocas, considerando que a Liga NOS se tornou “um produto claramente mais apetecível no mercado comercial”. A parceria entre as duas entidades começou em 2014 e foi renovada em 2017, durante o primeiro mandato de Pedro Proença na direcção da Liga.

Este é mais um golpe para a direcção liderada por Pedro Proença que terá colocado o lugar à disposição após ter sido criticado por vários clubes pelas cartas enviadas à Presidência da República e ao Governo. Pedro Proença defendeu, junto de Belém e do Ministério da Economia, a emissão em canal aberto de algumas das 90 partidas que compõem as dez jornadas finais da temporada 2019-20.

Na reunião desta quinta-feira, que incluiu os presidentes dos clubes da I Liga, o ex-árbitro internacional foi alvo de forte contestação. O presidente do Sp. Braga, António Salvador, foi um dos mais críticos, acusando o responsável pela Liga de inoperância e deixando um apelo aos clubes que compõem a direcção do organismo — FC Porto, Benfica, Sporting, Tondela, Gil Vicente, Mafra, Leixões e Cova da Piedade — a apresentarem a demissão, acto que faria cair Pedro Proença do lugar de presidente. Para o dia 9 de Junho ficou marcada uma Assembleia Geral Extraordinária, onde será discutida a situação de tensão vivida no seio da LPFP. 

Na missiva enviada para a Presidência da República, com data de 8 de Maio, a que o PÚBLICO teve acesso, Proença solicita a Marcelo Rebelo de Sousa que apoie a direcção da Liga no sentido de “diligenciar” que as partidas que faltam disputar na competição passem em canal aberto. Tudo para “defender adeptos e cidadãos”, permitindo que possam assistir aos jogos “no recato do lar”, considerando que, com a intervenção do Presidente da República, “os operadores poderão vir a aceder a tal desiderato”.

Dias antes, a 26 de Abril, Proença tinha enviado por email um ofício a Pedro Siza Vieira, ministro da Economia, onde manifestava a mesma intenção de abrir ao público em geral alguns dos encontros das dez jornadas finais da temporada. Antes de sugerir que fosse solicitado aos operadores de telecomunicações “que colaborem com o futebol e com os adeptos transmitindo os jogos, ou pelo menos parte deles, em canal aberto”, o ex-árbitro internacional insistiu que a realização das 90 partidas que restam é fundamental “para a sobrevivência do futebol”.

Não foi só junto dos clubes que as propostas de transmissão em sinal aberto das partidas caíram mal. Também os operadores demonstraram o seu descontentamento. Especialmente a Sport TV, uma das principais afectadas pela interrupção do futebol europeu motivado pela crise da pandemia do novo coronavírus. A principal estação televisiva portuguesa de conteúdos desportivos acumula perdas significativas. A Sport TV tem, ainda, como accionista de referência a NOS, a Altice e a Olivedesportos que, por sua vez, contam com contractos directos com clubes para a cedência dos direitos de transmissão dos jogos.

O campeonato regressa no dia 3 de Junho, tendo sido conhecida esta sexta-feira a calendarização dos jogos que restam ser disputados.