Daniela Braga garante recorde nos EUA com 46 milhões para a sua startup

Portuguesa, fundadora da DefinedCrowd, garante novos parceiros e dinheiro fresco para duplicar postos de trabalho e reforçar soluções e escritórios. “Vamos continuar a crescer a três dígitos”, afirma.

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A empresa de Daniela Braga tem escritórios nos EUA, em Portugal e no Japão Nuno Ferreira Santos/Arquivo

Apenas dois anos depois de ter garantido 10,2 milhões de euros (11,8 milhões de dólares) numa ronda de investimento série A, a DefinedCrowd anuncia a angariação de mais 46 milhões de euros (50,5 milhões de dólares) numa série B.

Para Daniela Braga, fundadora desta startup com escritórios em Seattle, Lisboa, Porto e Tóquio, esta segunda ronda de captação de investimento não é o pote no fim do arco-íris, mas é um marco importante e um pilar: com esta verba, desembolsada por um misto de novos e “velhos” investidores, Daniela Braga torna-se a empresária com a maior série B no universo das startups de inteligência artificial fundadas por mulheres nos EUA; e ao mesmo tempo garante financiamento para expandir serviços, escritórios e postos de trabalho.

PÚBLICO -
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O recorde é atestado pelas bases de dados de três serviços que compilam investimentos angariados por startups (Crunchbase, CB Insights e PitchBook). Quanto ao destino dessa verba, é a própria empresária portuguesa quem garante que, “com este financiamento, a empresa será capaz de prosseguir com o seu plano de expansão a três dígitos em 2020”.

Crescimento a três dígitos pode ser frequente no mundo tecnológico, nomeadamente no arranque da startup, sobretudo em tempos de expansão económica. Mas nem com a recessão à porta, a DefinedCrowd tira o pé do pedal, até porque os resultados de 2019, revelados há poucas semanas, mostram que o negócio segue de vento em popa. O que talvez ajude a explicar por que há novos investidores nesta ronda, com destaque para a Semapa Next e a Hermes GPE.

Ricardo Pires, director executivo da Semapa Next, resume o interesse neste investimento destacando a posição de liderança da DefinedCrowd, que recorre ao conhecimento de milhares de pessoas para ajudar máquinas a interpretar correctamente dados que depois podem ser usados em sistemas de inteligência artificial.

“Eles mostraram com celeridade que conseguem resolver os problemas mais prementes da inteligência artificial, que é a contínua necessidade de acesso a dados correctos e de qualidade. E nós estamos entusiasmados por fazer parte”, comenta Ricardo Pires, citado num comunicado da DefinedCrowd.

Os resultados de 2019 impressionaram o mercado, tanto na concorrência como nos investidores: as receitas cresceram 656% e o número de funcionários expandiu-se em 176%, face a 2018, ano em que a empresa tinha conseguido a tal ronda de série A, com investidores que agora repetem a presença na segunda chamada, como a EDP Ventures.

O leque inclui ainda a Kibo Ventures, a Portugal Ventures, a Bynd Venture Capital, a IronFire Ventures e a Evolution Equity Partners. E a estes juntam-se também o Amazon Alexa Fund, o Sony Innovation Fund e a Mastercard.

Com estes 46 milhões, a empresa quer “expandir as suas soluções, lançar novas propostas assentes no modelo de subscrição e expandir o seu alcance. Além disso, planeia duplicar o número de trabalhadores e abrir mais centros de investigação e desenvolvimento por todo o mundo até ao final de 2020”, explica a empresa, no mesmo comunicado.

“Fechar esta [ronda] série B é uma forma de validação daquilo que temos conseguido em apenas quatro anos e meio”, comenta Daniela Braga, uma empresária portuguesa doutorada que fundou a DefinedCrowd em 2015, quando trabalhava numa empresa nos EUA. 

“O que nós estamos a fazer é simular anos e anos de aprendizagem de um cérebro humano em dois ou três meses. Agregamos crowdsourcing, isto é, sabedoria de muitos milhares de pessoas, em pequenas doses, para construir gigantescas bases de dados com informação que tem de ser estruturada para permitir fazer inferências. Apple (Siri) e Amazon (Alexa) conseguiram um modelo de base que funciona bem no domínio geral, mas onde está o dinheiro é no domínio específico, porque cada indústria precisa que a interacção entre máquina e humano seja adaptada ao produto, ao domínio e ao mercado”, explicou Daniela Braga, numa entrevista ao PÚBLICO em Julho de 2019, em que realçava o atraso da Europa na competição tecnológica e as dificuldades acrescidas que uma mulher sente para singrar no mundo tecnológico.

Em 2019, a empresa foi certificada, lançou uma aplicação, entrou em duas listas da Forbes (a das 50 startups que melhor tratam os empregados e a das 50 empresas mais promissoras no domínio da inteligência artificial).

“A procura por produtos potenciados pela inteligência artificial está a crescer de forma exponencial em praticamente todas as geografias e indústrias”, resume a empresária, cujo primeiro investimento, uma ronda seed, foi há quatro anos, no valor de um milhão de euros (1,1 milhões de dólares, ao câmbio actual).

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