A Vogue britânica deu capa às heroínas da pandemia

Edição do próximo mês escolheu três profissionais da linha da frente no combate à covid-19.

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Capas da Vogue Britânica para o mês de Julho. JAMIE HAWKESWORTH/VOGUE

Não são actrizes, nem modelos, mas mulheres comuns que se mantiveram nos seus postos de trabalho durante o confinamento por causa da pandemia de covid-19. Uma maquinista, uma parteira e uma assistente de supermercado. Cada uma delas será uma das três capas de Julho da Vogue britânica. Jamie Hawkesworth fotografou as três mulheres para uma edição especial.

“Elas representam os milhões de pessoas no Reino Unido que, no pico da pandemia, vestiram os uniformes e foram ajudar”, justifica Edward Enninful, director da revista, à BBC. “Este momento da história pedia algo mais especial, um momento de agradecimento [a quem esteve na] nova linha de frente.”

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Para Rachel, a experiência de estar na capa da Vogue está a ser "surreal" JAMIE HAWKESWORTH/VOGUE

Há quase três anos que Rachel Millar, de 24 anos, trabalha como parteira no Hospital Homerton, na parte este de Londres. Quando foi fotografada pela Vogue ficou convencida que era para um artigo sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) britânico. “Recebi tantos comentários amáveis. Acho que as pessoas gostam de ver alguém do SNS na capa”, declara à BBC, acrescentando ainda que muitas profissões estão a conquistar um reconhecimento que não tinham anteriormente.

Quando o chefe de Narguis Horsford lhe perguntou se queria ser entrevistada para uma revista, a maquinista achou que era uma brincadeira. Depois de perceber que não era, sentiu-se “incrível por representar as trabalhadoras da linha da frente”. “É muito importante destacar o trabalho árduo e o contributo que damos para manter Londres em movimento e para fornecer os serviços que toda a gente precisa”, afirma a funcionária que trabalho nos Transportes de Londres há dez anos.

“Os trabalhadores do SNS são obviamente muito importantes, mas também é bom reconhecer trabalhadores de outros sectores”, complementa a maquinista que, apesar de inicialmente se ter sentido ansiosa por trabalhar durante a pandemia, agora está orgulhosa por o ter feito. “Tenho orgulho em ser uma trabalhadora essencial e uma condutora de comboios que leva outros trabalhadores essenciais aos seus trabalhos”, refere à BBC.

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Narguis conduz comboios há dez anos JAMIE HAWKESWORTH/VOGUE

Anisa Omar é outra das trabalhadoras que ocupa uma das capas da Vogue. A assistente de supermercado na companhia Waitrose, em King’s Cross, Londres, também partilha o sentimento de orgulho por ser uma trabalhadora essencial. “O meu trabalho não era nada de grandioso antes [da pandemia]. Mas agora parece que todos somos importantes. Temos de estar aqui, independentemente do que está a acontecer no mundo. É muito mais do que só um trabalho”, conclui.

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A jovem de 21 anos vive com os pais em Islington JAMIE HAWKESWORTH/VOGUE
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