Há 68 praias em Portugal sem vestígios de poluição há três anos seguidos

Apenas 28 municípios têm águas balneares com este nível de qualidade, e não há praias fluviais na lista compilada pela associação Zero que é dominada, de longe, por Torres Vedras.

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Torres Vedras é o município campeão das praias "Zero Poluição" Bruno Lisita

Torres Vedras com dez praias e Peniche e Angra do Heroísmo, ambas com cinco, são os concelhos líderes da lista de praias “Zero Poluição” que a associação ambientalista Zero vem compilando desde 2016. Para se alcançar este “estatuto” é preciso três anos com análises microbiológicas impolutas, um nível de exigência que atirou para fora deste mapa as praias fluviais do país. No qual só 28 municípios conseguem acesso a este patamar.

A Zero dá conta, ainda assim, de um aumento de 55% em relação ao ano passado (de 44 para 60 zonas balneares), o que significa que no triénio 2017-2019 houve uma melhoria substancial no tratamento dos efluentes domésticos e industriais que afectam a qualidade das águas balneares. Mas, só para termos uma noção mais exacta, as praias com este nível ínfimo de poluição representam 11% do total das 621 zonas balneares em funcionamento,

O trabalho, divulgado neste sábado em que abre a época balnear na sequência do plano de desconfinamento, “teve em conta os parâmetros da legislação em vigor”. O concelho com maior número de praias “Zero Poluição” é Torres Vedras que, assinala a associação, repete a boa classificação do ano anterior, com dez praias. O Oeste está bem representado na lista pois Peniche tem cinco zonas balneares nestas condições, tal como Angra do Heroísmo, nos Açores, arquipélago em que se destaca também o município de Praia da Vitória, com quatro areais, o mesmo número que Tavira, o mais representado no Algarve. 

A Zero salienta “que é extremamente difícil conseguir um registo incólume ao longo de três anos nas zonas balneares interiores, muito mais susceptíveis à poluição microbiológica”. A associação assinala que “este ano, ao contrário do que havia sido registado em todos os anos anteriores desde 2016 [ano em que a Zero iniciou esta avaliação]”, não há nenhuma zona balnear interior com esta classificação. “Este facto é um indicador do muito que ainda há a fazer para garantir uma boa qualidade da água dos rios e ribeiras em Portugal, o que requer esforços adicionais ao nível do saneamento urbano e das empresas”, insistem os ambientalistas.

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Caminha (1), Viana do Castelo (3), Esposende (2), Matosinhos (1), Vila Nova de Gaia (1), são os representantes nortenhos nesta lista que salta toda a zona de Espinho à Nazaré e recomeça, no Oeste, com Alcobaça (3), Caldas da Rainha (1), Óbidos (1), Peniche (5), Lourinhã (2), Torres Vedras (10) e Mafra (2). Daqui o salto é até à Península de Setúbal, onde encontramos Sesimbra (3), seguindo-se o Litoral Alentejano, no qual surge Grândola com duas praias. Aljezur (1), Vila do Bispo (3), Faro (3) e Tavira (4) completam, no Algarve, a lista de municípios do Continente. 

Angra do Heroísmo com cinco praias e Praia da Vitória (4), fazem da Terceira a ilha açoriana mais bem representada, mas o arquipélago conta ainda com três areais e águas “Zero Poluição” na Ilha do Pico - Lages do Pico (1) São Roque do Pico (1), Madalena (1) - duas em Santa Maria, no concelho de Vila do Porto, uma em São Jorge (Velas), e outra em Santa Cruz das Flores (1). Na Madeira, para além de uma praia na Calheta, há três outras, com esta qualidade, em Porto Santo.

A Zero explica que tem feito esta lista a partir de dados solicitados à Agência Portuguesa do Ambiente. Depois de identificar as praias que, ao longo das três últimas épocas balneares (2017, 2018 e 2019), tiveram sempre classificação excelente, a associação aperta o crivo e identifica “as que apresentaram valores zero ou inferiores ao limite de detecção em todas as análises efectuadas aos dois parâmetros microbiológicos controlados e previstos na legislação (Escherichia coli e Enterococos intestinais)”. E neste caso, acrescenta, “em todas as análises efectuadas não houve sequer a detecção de qualquer unidade formadora de colónias”.