Reuniões mistério, emojis, palestras virtuais e alguns erros. Como vai ser o formato virtual da Web Summit

A primeira versão da plataforma começou a ser desenvolvida há oito semanas e está a ser testada no evento Collision at Home.

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Palestras e tutorias de tecnologia via videoconferência — distribuídos por quatro canais e uma oficina — com plataformas de mensagens laterais para os espectadores enviarem questões aos intervenientes, salas virtuais para micro reuniões de três minutos entre participantes aleatoriamente escolhidos pelo sistema informático da Web Summit, e muitos emojis. Estas são algumas das características da plataforma desenvolvida pela equipa da cimeira de tecnologia ao longo das últimas oito semanas e que deverá ser utilizada na edição de 2020 da Web Summit, que foi adiada para o início de Dezembro, devido à pandemia de covid-19.

Esta a ser testada pela primeira vez no Collision from Home, a versão virtual do Collision, o evento irmão da Web Summit que ocorre habitualmente em Toronto, no Canadá. A edição deste ano conta com a presença de 634 oradores de 140 países, vistos por 32 mil participantes de todo o mundo.

O PÚBLICO teve a oportunidade de experimentar a plataforma durante uma conferência do presidente da Web Summit, Paddy Cosgrave, sobre o futuro da feira de tecnologia em Lisboa.

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Entrevista com a modelo inglesa Lily Cole numa das salas do Collision from Home Web Summit

Para aceder ao evento, é preciso usar um código electrónico gerado através de uma aplicação móvel que funciona como bilhete. Depois, basta navegar as diversas salas virtuais. Ao consultar a agenda, é possível entrar em palestras que estejam a decorrer. Apesar de intuitiva, a plataforma pode ser lenta (especialmente quando se quer mudar de sala) e vários participantes foram barrados de entrar no primeiro dia do evento: foram recebidos com um “erro 500” (que indica uma dificuldade de processamento do servidor) em vez de uma mensagem de boas vindas.

Pessoas barradas no primeiro dia

“Tivemos tido algumas dificuldades no arranque”, admitiu Paddy Cosgrave, em resposta aos jornalistas. “No primeiro dia, por exemplo, foi um desafio garantir que todos os participantes conseguiam entrar na plataforma. O fluxo de participantes levou o sistema a suspeitar de ataque informático e bloquear a entrada de muitas pessoas”, justificou o organizador. “Resolver o problema à distância e em simultâneo foi complicado, mas estas situações fazem parte do processo.”

Um dos maiores desafios do formato virtual é replicar os espaços de convívio e troca de ideias habituais nas feiras presenciais.

Uma das estratégias é o Mingle, uma sala em que a plataforma junta dois participantes da conferência escolhidos a partir de interesses que têm em comum (por exemplo, inteligência artificial e robótica). Cada sessão dura apenas três minutos, com a Web Summit a trocar os pares automaticamente no final desse período. Numa barra lateral, é possível ver os tópicos e questões que mais interessam ao participante escolhido. A ideia lembra uma versão mais formal de sites como o Omegle ou Chatroulette, que permitem conversas em tempo real com pessoas desconhecidas via webcam.

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Cada conversa dura três minutos Web Summit

A sala Breakout permite assistir a palestras em formato pergunta e resposta, em que os participantes podem enviar perguntas por escrito aos oradores. Os speakers desta quinta-feira incluem Anthony Scaramucci, antigo director de comunicações da Casa Branca, nos EUA, Garry Kasparov, jogador de xadrez profissional e activista político, e Brittany Kaiser, uma antiga directora da consultora britânica Cambridge Analytica — que acedeu a milhares de dados de utilizadores do Facebook sem autorização.

Também é possível tentar agendar e coordenar reuniões mais profissionais com investidores ou startups na própria plataforma, bem com aceder à lista completa dos oradores e participantes através do separador Explorar, que permite pesquisas por área de trabalho, empresa, nome ou localização.

Ainda assim, Cosgrave admite que, além dos desafios técnicos, é um difícil recriar a “magia offline” de conhecer novas pessoas durante uma pausa para café. É um dos motivos pelo qual a plataforma privilegia tanto o uso de vídeo e microfones para conversas “cara a cara”.

Cosgrave espera que a edição de 2020 da Web Summit possa incluir uma componente presencial. Os bilhetes para a versão online (que incluem mais de 100 horas de palestras virtuais e acesso às salas de reuniões virtuais e troca de contactos) começam nos 99 euros.

A versão digital da Web Summit não implica custos em viagens em alojamento, o que leva Cosgrave a crer que este tipo de eventos será mais popular no futuro. “Poderemos ter ainda mais participantes porque não há constrangimentos ao nível dos custos, alojamento, ou datas”, explicou o fundador da Web Summit que espera que a edição em Lisboa possa incluir filmagens dos oradores em diferentes pontos de Portugal para mostrar ouras áreas do país. “Era interessante filmar em cidades como Porto, Coimbra e Faro.”

A empresa também espera poder abrir a plataforma utilizada a eventos de terceiros. “Esperamos ficar melhores com o tempo e criarmos a maior conferência online de todos os tempos”, destacou Cosgrave.

Para já, a plataforma tem sido bem recebida apesar de algumas dificuldades técnicas. O evento online termina esta quinta-feira, dia 25 de Junho.

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