7 do 7 às 7, o regresso do Teatro Aberto ao palco numa peça para um público virtual

O espectáculo-surpresa, com transmissão online esta terça-feira, acontece em palco mas para uma plateia vazia. É um “meio caminho” para o teatro lisboeta, que durante a pandemia apostou numa forte programação virtual, com a disponibilização de parte do seu arquivo.

Cartaz da peça
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Cartaz da peça Teatro Aberto

O nome, deliberadamente, não permite descortinar o enredo. Não podia, ou este não fosse um espectáculo-surpresa. Mas não é que estejamos completamente no escuro. “Tem lá um piano no meio do cartaz. Já diz qualquer coisa”, brinca o encenador João Lourenço, ao telefone com o PÚBLICO. 7 do 7 às 7, peça que é transmitida no site do Teatro Aberto e da Antena 3 às 19h desta terça-feira, 7 de Julho, é o auto-referencial título do espectáculo com que o Teatro Aberto, apesar de ainda não poder ver o público na plateia, vai celebrar o regresso ao palco.

A apresentação, das instalações do espaço lisboeta directamente para os telemóveis e computadores dos espectadores, marca o fim do Teatro em Casa, programação virtual com que a equipa, durante o período de confinamento, tornou pública uma parte simpática do seu arquivo, partilhando filmagens integrais de peças antigas. “É claro que não estamos a falar de teatro na sua essência”, vaticina João Lourenço. “Teatro é aproximação e não há aproximação sem o público”, frisa, destacando que, com os constrangimentos impostos pela pandemia, as iniciativas digitais serviram para, “no meio disto tudo”, “nos lembrarmos que ainda estamos vivos e que o teatro ainda existe”.

7 do 7 às 7, conta o director artístico do Teatro Aberto, reunirá “vários actores e cantores que costumam trabalhar” com a casa. O espectáculo incluirá segmentos de música ao vivo interpretados pelos artistas contemplados nas próximas produções da companhia — nomeadamente Golpada, com estreia apontada para Setembro, e Só Eu Escapei, marcada para Novembro —, e há no elenco nomes como Ana Guiomar, Catarina Avelar, Cristovão Campos, Maria Emília Correia ou Miguel Guilherme. Uma comemoração do “fim do período em que não podemos estar uns com os outros”, a peça, de apresentação única, servirá como prelúdio da rentrée de Setembro, onde a equipa “regressará em força”. “Espero que não seja um regresso lento, espero que as pessoas sintam necessidade de ver e estar com o Outro”, desabafa João Lourenço.

Em palco e sem plateia, 7 do 7 às 7 é um “meio do caminho” para o encenador, que em Portugal foi “dos primeiros” a solicitarem refúgio no streaming. “É como se estivéssemos a dizer às pessoas: ‘Nós já aqui estamos. Daqui a pouco vêm ter connosco.’ Já não falta muito para o reencontro.”

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