Herbes Folles: as propriedades medicinais das ervas “daninhas” transformadas em cosméticos

Herbalista, Mariana Santos sempre achou piada a ervas espontâneas. Do interesse pelas plantas e pelos cosméticos, nasceu uma marca que se apresenta ao mercado com três produtos naturais feitos à base de ervas daninhas.

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A marca é portuguesa mas a produção é feita na Bélgica Rui Gaudêncio
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Os três produtos de cuidados para o rosto são certificados NATRUE e vegan Aline Macedo
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A marca é lançada com um bálsamo multi-usos, um óleo de limpeza e uma loção hidratante bi-fásica Aline Macedo

Mariana Santos acabou o ensino secundário sem saber o que queria fazer. Passou pela fotografia, fez teatro, dança e tentou antropologia. Mais tarde, sentiu o chamado de Bruxelas, cidade de que “gostava muito”, onde “o mundo artístico é bastante rico”, e decidiu ir para a Bélgica. “Mudou completamente a minha vida”, conta. Escreveu pequenos livros, voltou a namoriscar a fotografia e, quando descobriu que ia ser mãe, regressou a Portugal. Não queria, em conjunto com o companheiro, trabalhar durante o primeiro ano da filha e tinha a possibilidade de o fazer na casa de campo do pai. Foi aí que descobriu as plantas e assim nasceu a Herbes Folles, uma marca de cosmética natural à base de ervas espontâneas.

Primeiro, começou por plantar ervas medicinais, decidiu explorar a área e fez duas formações online: uma de formulação de cosméticos e outra de medicina herbal. “Comecei a aperceber-me que nos materiais de estudo as ervas daninhas apareciam com alguma frequência, como as urtigas, os dentes-de-leão, as beldroegas. E como as tinha ali comecei a estudá-las, a comê-las e a fazer chá”, explica Mariana Santos.

“Sempre achei piada a ervas daninhas”, continua a fundadora da marca de cosméticos naturais à base de ervas espontâneas, mais conhecidas como daninhas. “Ia lá uma vizinha cuidar da horta e estava sempre a arrancá-las”, comenta a herbalista que acha curioso que as plantas “voltem sempre”. Depois de “alguma pesquisa para ver se estas ervas eram, de facto, usadas em cosméticos”, Mariana percebeu que apesar de o serem, as marcas não o assumiam. “A minha ideia também é tirar o ‘daninhas’ do nome das ervas”, salienta a empresária sobre a consciencialização que pretende alcançar com o lançamento online da marca. “Eu gostava muito que este projecto fosse para além dos cosméticos”, refere a fundadora que também considera “organizar workshops de experimentar e cozinhar com as ervas”, e até “passeios na cidade” que sensibilizem as pessoas para a história e propriedades medicinais das ervas espontâneas.

Com o mercado dos cosméticos naturais portugueses em crescimento, e havendo ainda poucas marcas nacionais, a Herbes Folles tem a particularidade de deixar as pessoas “curiosas” e “interessadas”. Durante a preparação da marca, a herbalista prestou “o máximo de atenção possível aos materiais e às matérias-primas”, o que resultou em embalagens de vidro e cartão, materiais mais sustentáveis do que o plástico. “Os recursos do planeta onde vivemos já estão um bocado gastos e nós abusamos”, justifica ao PÚBLICO, considerando ainda que, nos dias de hoje, é impossível lançar uma marca que não tenha um foco ambiental.

Apesar de ser uma portuguesa, os produtos são confeccionados num pequeno laboratório belga especializado em cosméticos naturais e sustentáveis, pois a ideia inicial era voltar para Bruxelas. “Lançar uma marca nesta altura já me custa um bocadinho”, confessa a fundadora que tinha planeado o lançamento na Primavera, o que foi adiado devido à pandemia. “Mas não me passa pela cabeça cancelar”, declara. O lançamento é feito com três produtos vegan que Mariana considera “essenciais”: um bálsamo multiúsos, um óleo de limpeza e uma loção hidratante bifásica. A fundadora planeia aumentar a oferta, mas antes quer perceber as necessidades dos clientes.

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