Opinião

Cartas ao director

Aljube

Julgávamos nós que as práticas predatórias na administração pública já tinham tido melhores dias. Não tiveram. A escolha da ex-deputada Rita Rato para a direcção do Museu do Aljube é uma vergonha. Não dignifica a EGEAC, que ignorou o perfil que exigiu aos candidatos, e não encarece o júri, que embarcou diligentemente neste simulacro concursal. Dos nove requisitos exigidos, à deputada Rita Rato faltam pelo menos três, e logo aqueles, cruciais, relativos à proficiência técnica exigida à coordenação superior de um equipamento desta natureza: não tem formação em História; não tem experiência em funções similares, “preferencialmente na área dos museus”; nem sequer lhe conhecemos experiência em programação e produção de exposições. E não falemos sequer do descaso com que, em algumas entrevistas, referiu temas de História Contemporânea: “não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso”… No fim, vem-nos à memória uma frase batida da doutrinação populista – “eles são todos iguais”. O problema é que, às vezes, são mesmo! Os museus e a cultura portuguesa mereciam melhor.

Miguel Soromenho, Lisboa

A propósito da morte de Alfredo Tropa​

A propósito da morte do Alfredo Tropa, lembrei-me de factos importantes para o cinema português acontecidos em 1969. Envolvidos num movimento para pôr em marcha uma Cooperativa de Cinema apoiada pela Fundação Gulbenkian, estiveram nomeadamente Fonseca e Costa, Fernando Lopes, Faria de Almeida, António de Macedo, Fernando Matos Silva, Ernesto de Oliveira, António-Pedro Vasconcelos, Artur Ramos, Paulo Rocha, Manuel Ruas, Seixas Santos, Ernesto de Sousa, Alfredo Tropa, o distribuidor Gerard Castelo Lopes e os operadores Acácio de Almeida, António Escudeiro, Elso Roque e Costa e Silva.

Por fim, alguns dos realizadores acima citados constituíram o C.P.C. - Centro Português de Cinema, S.C.A.R.L. (Sociedade Cooperativa Anónima de Responsabilidade Limitada). Que saiba, estão ainda vivos o Matos Silva, o António-Pedro e eu próprio.

Manuel Faria de Almeida, Lisboa

O Algarve e os ingleses

Desesperamos pela atitude dos ingleses e pelas consequências tenebrosas para o nosso turismo. Após a construção durante anos do turismo sun, wine &  beer virado para os ingleses não será antes uma oportunidade de se repensar a dependência deste nível de turismo? Muitos deixaram de procurar locais como Albufeira que se especializaram neste conceito de turismo do lucro fácil. Boa oportunidade para diversificar e descobrir outros mercados bem mais interessantes. 

Ricardo Rocha, Paço d’Arcos 

Desigualdades

Enquanto mais de 70% dos pensionistas recebem menos de 600 euros mensais, o Governo nacionalizou a posição de Isabel dos Santos na Efacec. Para o Governo é de interesse nacional injectar dinheiro na TAP. Para defender o sistema financeiro e cumprir o contratado com a Lone Star, o Governo injecta dinheiro no Novo Banco. Para uns, abrem-se os cofres do Estado, para outros o destino está traçado. Enquanto a esperança média de vida dos portugueses aumentou, o fosso entre ricos e pobres disparou.

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

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