Nem Cristas nem Portas, lista à concelhia do CDS-Porto afasta facções até agora maioritárias

Isabel Menéres vai a votos nesta quarta-feira para um segundo mandato à frente da estrutura que decidirá se o partido vai ou não apoiar Rui Moreira num eventual terceiro mandato à Câmara do Porto.

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CDS-Porto vai a votos nesta quarta-feira para reeleger Isabel Menéres Paulo Pimenta

A professora universitária Isabel Menéres, que há dois anos venceu as eleições para a concelhia do CDS-Porto, vai nesta quarta-feira de novo a votos com uma lista completamente renovada que deixa de fora algumas sensibilidades do partido e, em certa medida, a ala do CDS que está com Rui Moreira na governação da Câmara do Porto.

A candidata rejeita que tenha excluído elementos afectos às facções até agora maioritárias no CDS (próximas de Assunção Cristas e Paulo Portas) e argumenta que “estados de alma” não são consigo. Quanto à ausência, na lista, de algumas pessoas com responsabilidades no executivo do município do Porto esclarece: “Convidei Catarina Araújo para integrar a lista, mas a vereadora de Rui Moreira recusou o convite, invocando ‘razões pessoais e profissionais'”. Quanto a André Noronha, líder da bancada municipal pelo Porto, o Nosso Movimento do actual presidente da autarquia, assume que nem sequer se lembrou dele.

O PÚBLICO sabe que outros militantes do partido foram convidados para integrar o projecto de Isabel Menéres, nomeadamente autarcas, mas decidiram não aceitar. A candidata, que desta vez vai a votos sozinha, terá também convidado o advogado José Gagliardini Graça, deputado municipal pelo movimento de Rui Moreira, para entrar na lista, mas sem sucesso.

À frente da concelhia há dois anos, a líder da concelhia reconhece que a sua lista tem muita gente jovem – “é preciso sangue novo no partido”, diz – e assume que para este segundo mandato conta com “muita gente” da Juventude Popular. “Convidei quem quis”, afirma sem rodeios. “Quero uma concelhia que trabalhe e que apresente trabalho para que possa funcionar e não uma concelhia que se perca no dia-a-dia na gestão de sensibilidades”, declarou Isabel Menéres ao PÚBLICO. “Escolhi pessoas que têm disponibilidade e que se identificam com aquilo que eu represento e que são leais ao meu projecto. Não podemos ser sempre os mesmos”, argumenta, pedindo mudanças. “É preciso sangue novo e capacidade para criar novos quadros”.

Para a candidata, a sua lista representa os “principais eixos do pensamento” do CDS – “democracia cristã, conservadorismo e liberalismo” – e as “pessoas que estão sintonizadas” com o seu projecto para o próximo mandato, que ainda não é conhecido dos militantes. “Tenho o projecto na cabeça, mas ainda não o escrevi”, desculpa-se, adiantando que assenta em três eixos: “Política nacional, preparação das eleições autárquicas e organização de um ciclo de conferências relacionadas com as comemorações do 45.º aniversário do 25 de Novembro”. 

Com a eleição garantida, cabe a Isabel Menéres decidir se o CDS, que tem uma coligação com Rui Moreira, vai ou não apoiar o presidente da Câmara do Porto, caso este venha a candidatar-se a um terceiro e último mandato. “Não vou falar sobre isso porque Rui Moreira ainda não disse se vai recandidatar-se a mais um mandato”, justificou.

Na conversa com o PÚBLICO, professora universitária deixa elogios ao actual líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, de cuja direcção faz parte, e mostra-se optimista com a sua liderança. “Francisco Rodrigues do Santos está muito bem posicionado para fazer o partido crescer e a concelhia do CDS do Porto irá contribuir para esse crescimento”.

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