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Milhares de martas infectadas com covid-19 estão a ser abatidas em Espanha e nos Países Baixos

A região de Aragão, em Espanha, decretou o abate de quase 100 mil martas devido à infecção pelo novo coronavírus. A indústria das peles tem sido um foco de transmissão na Europa.

Espanha ordenou esta quinta-feira, 16 de Julho, o abate de 92.700 martas numa quinta na cidade de Tuerel. O governo regional de Aragão avançou ainda que 80% destes animais testaram positivo à covid-19 e que a medida surge como forma de “evitar riscos para a população e a saúde pública”, conforme disse Joaquin Olona, ministro da Agricultura da região de Aragão, citado pelo El País.

Especialistas acreditam que o vírus terá chegado à quinta através de um trabalhador infectado que terá passado a infecção aos animais. A 22 de Maio eram sete os trabalhadores infectados com covid-19 na quinta em Aragão. A 13 de Julho, já 87% das martas estavam infectadas, conforme avança o The Guardian. Ainda assim, Joaquin Olona explica que "ainda não é certo que a transmissão de humanos para animais e vice-versa aconteça”.

As infecções de covid-19 na indústria das peles está a alastrar-se a um ritmo crescente pela Europa. Nos Países Baixos, 25 quintas de criação para a indústria de peles terão já sido afectadas pelo SARS- CoV-2, confirma o The Guardian. Também aqui os especialistas acreditam que a infecção tenha vindo de trabalhadores, testados em Abril. Depois disso, começou o abate das espécies de forma a controlar o surto.

Está prevista a extinção da indústria de peles nos Países Baixos para 2024, embora alguns partidos peçam uma aceleração do processo. O Partido dos Animais holandês pediu encerramentos mais céleres para os próximos tempos, numa moção aprovada no parlamento em Junho. Na última quinta-feira, a Humane Society International (HSI), organização não-governamental dedicada aos animais, reforçou o perigo destas indústrias para a espécie e para a propagação do novo coronavírus, alertando para as fracas condições de criação dos animais.

As martas são abatidas através do mesmo procedimento utilizado para recolher as peles, a inalação de monóxido e dióxido de carbono. Joanna Swabe, directora de comunicação da HSI, afirmou ao The Guardian que este é um processo particularmente cruel para as martas, que são animais semi-aquáticos habituados a conter a respiração por largos períodos de tempo.

Os Países Baixos são o quarto país mundial com maior indústria de peles, depois da China, da Dinamarca e da Polónia. A Espanha é o sétimo maior produtor da Europa.

Texto editado por Ana Maria Henriques

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