A janela de Florent é um piquenique suspenso com vista para o céu

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Florent Tanet abriu a janela e fez um piquenique com vista para o céu. Levou compota, fruta, sumo, jogos e, claro, livros. Tudo sem sair do quarto e em pleno período de confinamento. 

"Sempre me senti interessado em situações triviais do dia-a-dia", escreve ao P3. A ideia de fazer uma "escultura impressionante" utilizando o mínimo de objectos possíveis cativa-o. Ao minimalismo, junta a abordagem de "pessoa preguiçosa, que não faz muito esforço e cria com aquilo que é mais comum e que já está criado". Por outras palavras: "Gosto de transformar o nosso dia-a-dia num grande recreio." Uma abordagem que já tinha mostrado em 2013 no P3.

Por isso, quando foi decretado o período de quarentena em França, onde nasceu e vive, encontrou outro ritmo de vida, fechado em casa e que, paradoxalmente, lhe deu uma sensação de liberdade. Aproveitou para se desafiar, olhar em volta e desenvolver a criatividade sem sair de casa. O mote é sempre o mesmo: "Como criar uma fotografia com impacto ou humor, usando apenas algumas velas, um pacote de fósforos, facas, pensos rápidos ou três frutos?"

Olhou para a grande (e única) janela que tem num dos quartos em casa. "O que é interessante nesta janela é que só abre em direcção ao céu, não nos dá acesso directo ao mundo social e não nos mostra a vida externa", descreve o fotógrafo e director de arte, que já trabalhou como designer e director de arte da Lacoste e que colabora com publicações e marcas como The New YorkerThe New York Times, Vogue, Chanel ou Hermes. "A janela é uma importante referência em filosofia e história da arte, e permaneceu com o seu significado durante este período de confinamento", conta. Percebeu que ela representava o "sentimento paradoxal" dos tempos de quarentena: por um lado, "um sentimento de total isolamento" e, por outro, "o facto de estarmos a viver o mesmo universalmente".

Montou o cenário e captou objectos simples, que se tornaram num "momento onírico". Nasceu a série A Picnic on my Velux. E quem imaginava que um pente, um copo, um isqueiro e uma flor pudessem parecer tão mágicos?

Florent Tanet
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