Como a tecnologia mudou a nossa vida

O Público, em parceria com a Worten, organizou um webinar sob um mote directo, mas bastante complexo: “Dá para imaginar a vida sem tecnologia?”. Descubra algumas das respostas neste artigo e veja – ou reveja – o vídeo da sessão.

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A tecnologia faz parte do dia-a-dia da generalidade das famílias. Hoje mais do que nunca, a realidade dos portugueses (e da população mundial) foi afectada de forma inesperada e irreversível. E, embora o tema do webinar não se restringisse ao período de confinamento, a conversa acabou por rumar, inevitavelmente, para este período temporal, já que foi aí que se assistiu ao tão esperado salto tecnológico.

Os meios digitais foram um “contributo enorme para ir ultrapassando com o mínimo impacto possível” os condicionamentos provocados pela pandemia da Covid-19, defendeu Inês Drummond Borges, directora de marketing da Worten. Algo visível desde as novas interacções de grupo – encontros com amigos e familiares (de todas as faixas etárias) por videoconferência – ao comportamento dos portugueses enquanto consumidores.

Veja ou reveja aqui o vídeo do webinar "Dá para imaginar a vida sem tecnologia?”

Uma das áreas que cresceu exponencialmente neste período foi a das vendas online, uma ideia confirmada por Inês Drummond Borges, partilhando o caso da Worten, que, ainda assim, nunca fechou portas por integrar o comércio de bens de primeira necessidade. Em comparação com o período homólogo do ano passado, na quarentena o comércio online da empresa de tecnologia cresceu sete vezes mais; uma tendência que se manteve mesmo com as medidas de desconfinamento – há, por esta altura, três vezes mais vendas do que em igual período em 2019.

Procura de computadores cresceu na quarentena

Quando questionado acerca das dúvidas mais frequentes durante o confinamento, Bernardo Almeida (bernas19),  youtuber de tecnologia, foi peremptório: as pessoas queriam ser aconselhadas relativamente a laptops. Segundo o youtuber, os seus seguidores foram levados a comprar esse equipamento por causa do teletrabalho e das aulas online, sendo que os seus “vídeos sobre computadores portáteis dispararam as visualizações”.

Inês Drummond Borges confirmou que as vendas desses equipamentos dispararam, mas destacou também outros que foram muito procurados, confirmando os novos hábitos dos portugueses, nomeadamente impressoras, headphones, arcas frigoríficas, máquinas de café, robôs de cozinha e máquinas de fazer pão.

Novas dinâmicas familiares com apps e gaming

As novas tendências das rotinas familiares alastram-se a diversos campos da vida pessoal, como destacou Ana Garcia Martins, do blogue “A Pipoca Mais Doce”, que foi explorando as aplicações disponibilizadas nos últimos meses. Além das novas funcionalidades de lazer, “os ginásios conseguiram adaptar-se muito rapidamente” ao seu encerramento, com aulas online de grupo ou individuais.

A blogger procurou também novas atividades em casa, por exemplo com videojogos, uma área de interesse do seu filho Mateus. “Temos assistido a um movimento intergeracional” no que diz respeito ao gaming, frisou Inês Drummond Borges, defendendo que este campo pode fortalecer a “empatia” entre pais e filhos.

Rosário Carmona e Costa, psicóloga clínica e psicoterapeuta de crianças e adolescentes, garantiu que há “mais-valias dentro das perturbações de crescimento”, como no “autismo e novas formas de chegar ao outro” ou “dislexia”. A autora do livro “iAgora? Liberte os seus filhos da dependência dos ecrãs” acredita que a tecnologia tem o potencial de trazer “ganhos terapêuticos e familiares brutais”, sendo importante que os progenitores se interessem pelos temas que atraem os filhos.

O teletrabalho alterou a nossa noção de tempo?

Perante a mudança de paradigma provocada pela pandemia da Covid-19, os portugueses tiveram de se adaptar a novas dinâmicas profissionais e pessoais. Algo que Ana Garcia Martins já vinha a sentir há mais tempo, uma vez que a sua profissão – assim como a de Bernardo Almeida – não tem horários fixos. A blogger disse que “se perdeu um pouco o limite do que é sensato”, pelo que se tornou natural “receber e-mails de trabalho às duas da manhã e responder às duas e meia”. Tal conduz, inevitavelmente, a uma “relação promíscua” entre a dimensão profissional e pessoal. “Se não impões as tuas barreiras é difícil porque elas não estão lá”, anuiu o youtuber de tecnologia.

De seguida, Rosário Carmona e Costa confirmou que este é um tema frequente nas suas consultas, onde é questionada “como é que nós definimos os nossos limites?”. Além disso, a quarentena aumentou também a ansiedade e o medo de “não estar a dar conta do trabalho”. No entanto, tal é provocado por uma situação inesperada e volátil e, “como em qualquer coisa nova, precisamos definir as nossas regras”, afirmou a psicóloga.

No ar ficou a questão se os hábitos tecnológicos que adquirimos na quarentena vieram para ficar. Para a directora de Marketing da Worten esta é “a pergunta para a qual ainda ninguém tem realmente a resposta, já que o grau de incerteza dos próximos meses não permite dar uma resposta conclusiva.”.

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