Duas semanas depois de voltar à prisão, Michael Cohen vai ser libertado

Juiz considerou que autoridades federais mandaram prender ex-advogado de Donald Trump como “retaliação” por este querer escrever um livro sobre o Presidente norte-americano.

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Michael Cohen, ex-advogado de Trump, cumpre uma pena de três anos de prisão Brendan McDermid/Reuters

Um juiz do tribunal distrital de Manhattan, em Nova Iorque, decretou esta quinta-feira que Michael Cohen deve ser libertado, considerando que o regresso do ex-advogado de Donald Trump à prisão, no passado dia 9 de Julho, foi uma “retaliação” por este pretender escrever um livro de memórias sobre o Presidente dos Estados Unidos.

“Concluo que o objectivo de transferir Michael Cohen da sua prisão domiciliária para a prisão é uma retaliação”, afirmou o juiz Alvin K. Hellerstein, citado pelo The New York Times. “E é uma retaliação por causa do seu desejo de exercer os direitos consagrados na Primeira Emenda para publicar um livro e discutir assuntos relacionados com o mesmo nas redes sociais ou com outras pessoas”, acrescentou o juiz do tribunal distrital.

Michael Cohen está a cumprir uma sentença de 36 meses de prisão, depois de se ter considerado culpado de vários crimes, como mentir ao Congresso ou violar as leis da campanha eleitoral.

Cohen, que chegou a dizer que levaria um tiro por Donald Trump, admitiu pagar à actriz de filmes pornográficos Stormy Daniels para que esta não tornasse pública a sua relação com o Presidente norte-americano, uma acusação que Trump nega.

No passado mês de Maio, foi enviado para prisão domiciliária, tal como outros reclusos em prisões federais, numa medida preventiva contra a disseminação da covid-19.  No entanto, dois meses depois, voltou a ser detido por ordem do organismo que gere o funcionamento das prisões federais.

A decisão surgiu pouco depois de o ex-advogado ter revelado que iria escrever um livro sobre Donald Trump, prometendo revelar o “comportamento do Presidente nos bastidores”, apresentando-o como um “racista”.

Cohen, de 53 anos, processou as autoridades da prisão federal e o procurador-geral norte-americano, William Barr, afirmando que o seu regresso à prisão foi politicamente motivado, para impedir que o seu livro sobre Trump fosse publicado antes das eleições de Novembro.

O juiz Alvin K. Hellerstein deu-lhe razão e Michael Cohen deverá regressar à casa em Manhattan na sexta-feira, para cumprir o resto da sentença em prisão domiciliária. 

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