Covid-19: pandemia, inundações e gafanhotos ameaçam de fome milhões em África

Número de pessoas em extrema insegurança alimentar na África Oriental poderá aumentar para 41,5 milhões.

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Praga de gafanhotos é uma das causas da insegurança alimentar em África Reuters/Njeri Mwangi

O número de pessoas em extrema insegurança alimentar na África Oriental está em risco de aumentar de 24 milhões antes da pandemia de covid-19 para 41,5 milhões até ao final de 2020, alertou hoje o Programa Alimentar Mundial.

Em comunicado, esta agência das Nações Unidas indica que este aumento de 73% das pessoas em extrema insegurança alimentar na África Oriental deverá ser mais flagrante na região constituída pela Etiópia, Sudão do Sul, Quénia, Somália, Uganda, Ruanda, Burundi, Djibuti e Eritreia.

Na origem deste aumento está uma tripla ameaça: covid-19, inundações e gafanhotos.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) estima que só a praga de gafanhotos poderá resultar num aumento de 1,5 a 2,5 milhões de pessoas em grave insegurança alimentar, devido a um risco acrescido para as culturas e pastagens durante a principal época de colheita, de Julho a Setembro.

A região está também a passar por uma época de cheias, com precipitações acima da média previstas até Setembro. As recentes inundações na região afectaram 2,25 milhões de pessoas e deslocaram mais de 1,1 milhões.

O PAM refere que este aumento previsto da insegurança alimentar será maior nas populações que vivem em áreas urbanas e atingidas pelo impacto socioeconómico da pandemia.

Na região, cerca de 50% da população urbana vive em aglomerados populacionais informais, sendo a maioria dependente do emprego informal do dia-a-dia.

Por outro lado, a satisfação das necessidades de segurança alimentar das populações em bairros de lata urbanos de toda a região é um factor crítico para a estabilidade e segurança neste período tumultuoso.

O programa das Nações Unidas recorda ainda que a África Oriental acolhe 3,3 milhões de refugiados e requerentes de asilo e 6,2 milhões de pessoas deslocadas.

As populações refugiadas que anteriormente eram capazes de se alimentar e de se defender, incluindo muitos que vivem em áreas urbanas e os que trabalham na economia informal, enfrentam agora desafios significativos.

A maioria dos refugiados não está coberta por esquemas de protecção social, deixando muitas famílias destituídas e dependentes da assistência humanitária.

O PAM elogia os governos da África Oriental pelas suas respostas eficazes à covid-19 e sublinha que “uma prioridade fundamental para mitigar a insegurança alimentar na África Oriental é manter as fronteiras abertas”.

Por essa razão, a organização congratula-se com a colaboração dos governos da África Oriental para manter o fluxo alimentar, de modo a que as pessoas que dependem dos mercados possam ainda ter acesso aos alimentos certos no momento certo.

A covid-19 já provocou mais de 627 mil mortos e infectou mais de 15,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. Em África, há 16.697 mortos confirmados em mais de 787 mil infectados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

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