Grupo PSA com 595 milhões de lucro no primeiro semestre

Carlos Tavares afirma que este resultado, no meio de uma pandemia, mostra a “resiliência” do grupo ao cabo de seis anos consecutivos de reformas.

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Reuters/Christian Hartmann

O grupo PSA, dono das marcas Peugeot, Citroën, DS, Opel e Vauxhall, fechou o primeiro semestre de 2020 com um lucro de 595 milhões de euros. Os resultados foram apresentados esta terça-feira e, segundo Carlos Tavares, o gestor português que preside ao grupo, são a prova de que o trabalho levado a cabo nos últimos seis anos está a dar frutos.

O construtor francês, que tem uma fábrica em Mangualde (distrito de Viseu) e este mês anunciou a compra de uma startup portuguesa, não é imune à crise pandémica, mas Carlos Tavares diz que os números espelham a “resiliência” do grupo. Tal como na restante indústria mundial, os lucros registam um gigantesco tombo, de 1800 milhões no primeiro semestre de 2019 para os tais 595 milhões de euros agora, com a quebra das receitas do ramo automóvel a contribuir substancialmente para este resultado.

O volume de vendas ascendeu a 25.120 milhões de euros, com o da divisão automóvel a fixar-se em 19.595 milhões, menos 35,5% face ao período homólogo de 2019. Ao mercado, o grupo justifica estes resultados com “efeitos desfavoráveis dos volumes e do mix de países (-40,5%), a redução das vendas a parceiros (-0,5%) e o impacto negativo das taxas de câmbio (-0.6%)”.

O contributo mais positivo foi dado pelo “mix de produtos (+3,4%), dos preços (+0,4%) e de outros efeitos (+2,3%)”.

“Este resultado semestral demonstra a resiliência do grupo, recompensando seis anos consecutivos de trabalho intenso para aumentar a nossa agilidade e diminuir o nosso break-even. (...) Estamos determinados a conseguir uma recuperação sólida no segundo semestre do ano”, diz Carlos Tavares, que mantém a aposta na fusão com o grupo Fiat-Crysler, um negócio de 44 mil milhões de euros que está neste momento em avaliação pela Comissão Europeia.

Tavares acredita que a fusão, que dará origem ao quarto maior construtor mundial e a uma aliança que foi baptizada Stellantis, pode ficar fechada até ao final do primeiro trimestre de 2021. O gestor português será o CEO da Stellantis, que pode gerar sinergias de 3700 milhões de euros, pelo menos.

O negócio foi anunciado em Dezembro de 2019 e já obteve luz verde de alguns reguladores mundiais. Falta saber se a Comissão Europeia exige mudanças no lucrativo ramo dos comerciais ligeiros. A investigação aprofundada aberta por Bruxelas deve-se ao que a Comissão entende ser a eventual concentração de poder de mercado na Stellantis, reduzindo a concorrência nesse segmento. “Se for preciso encontrar soluções, nós encontrá-las-emos”, diz Tavares, citado hoje pelo Financial Times.

O resultado operacional corrente da Faurecia, que tem diversas fábricas em Portugal, representa uma perda de 159 milhões de euros nas contas da PSA. As perspectivas de mercado mantêm-se, ainda assim, em terreno negativo, com o grupo a estimar uma “quebra na ordem dos 25% do mercado automóvel na Europa”, uma redução de 30% na Rússia e América Latina e um recuo de 10% na China.

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