Herman Cain, ex-candidato republicano às presidenciais, morreu de covid-19

Contrário ao uso de máscara, o fervoroso apoiante de Donald Trump, que o considerava “um grande amigo”, foi diagnosticado nove dias depois de participar num comício do actual Presidente, onde foi fotografado sem máscara.

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Herman Cain, conservador, chegou a liderar as sondagens para candidato do Partido Republicano às presidenciaisem 2011 Sean Gardner/Reuters

Herman Cain, antigo candidato à nomeação do Partido Republicano para as presidenciais de 2012, morreu na quinta-feira, aos 74 anos, devido à covid-19. O anúncio foi feito no site do milionário republicano. “Herman Cain, o nosso patrão, o nosso amigo, que era como um pai para muitos de nós, morreu”, anunciou Dan Calabrese, responsável pela gestão do site.

O republicano estava hospitalizado em Atlanta, no estado da Geórgia, desde o passado dia 29 de Junho, quando foi diagnosticado com covid-19, nove dias depois de participar num comício organizado pela campanha de Donald Trump. 

“Sabíamos que, quando foi hospitalizado devido à covid-19, seria uma luta difícil”, lamentou Calabrese. “Embora ele estivesse bastante saudável nos últimos anos, fazia parte dos grupos de risco devido à sua história ligada ao cancro [do cólon e do fígado]”, concluiu.

Herman Cain foi diagnosticado com a doença depois de participar no comício de Donald Trump, em Tulsa, no Oklahoma. Na altura, nota o New York Times, o republicano gravou um vídeo a dizer que utilizou máscara no comício, apesar de, no Twitter, ter partilhado uma fotografia rodeado com outras pessoas, sem máscara. Noutras ocasiões, defendeu que a máscara não deveria ser obrigatória.

Nascido em 1945 na cidade de Memphis, no estado do Tennessee, filho de um motorista e de uma empregada de limpeza, notabilizou-se como gestor de uma cadeia de pizzarias, a Godfather´s Pizza, e dirigiu um banco do sistema da Reserva Federal no Kansas.

Próximo do Tea Party, tornou-se famoso ao concorrer às primárias republicanas de 2011, que acabaram com a nomeação a Mitt Romney para concorrer à presidência, candidato que viria a ser derrotado por Barack Obama

Apresentava-se como o candidato ABC “conservador negro americano” e chegou a estar bem colocado nas sondagens, mas acabaria por desistir devido a acusações de assédio sexual, que negou.

Em 2016, tornou-se um fervoroso apoiante de Donald Trump, saindo várias vezes em defesa do Presidente norte-americano, negando que este fosse racista. Foi um dos rostos do movimento Black Voices for Trump (vozes negras por Trump), que faz campanha pela reeleição do candidato republicano. Em 2019, Trump anunciou a intenção de o nomear para governador da Reserva Federal, mas a escolha não foi bem recebida por vários senadores republicanos, acabando por cair.

No Twitter, o Presidente norte-americano recordou Herman Cain como um “patriota” e um “grande amigo”.

“O Herman teve uma carreira incrível e era adorado por todos aqueles que o conheceram, especialmente eu. Era um homem muito especial, um patriota americano e um grande amigo”, escreveu Trump no Twitter.

“Ele teve uma vida realizada – titã empresarial, sobrevivente de cancro e candidato presidencial republicano. Será sempre recordado pelo seu amor ao país”, disse Kevin McCarthy, líder da minoria do Partido Republicano na Câmara dos Representantes.

Herman Cain é uma das mais de 150 mil vítimas mortais causadas pela covid-19 nos Estados Unidos. Segundo os números da Universidade Johns Hopkins, o país regista cerca de 4,5 milhões de infecções por SARS-CoV-2.

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