Mariana Garrido e Amaru Mestas
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Mariana Garrido e Amaru Mestas DR

Gap Year Portugal: Mariana e Amaru vão redescobrir-se na América do Sul

“A Ver Vamos” é o nome do projecto que levará Mariana e Amaru, vencedores da 6ª edição da Gap Year Portugal, a viajar pela América do Sul. A data prevista de partida é 27 de Dezembro.

Mariana Garrido é assertiva nas palavras: “Ver o que não foi visto, ver com outros olhos”, como, aliás, já dizia Saramago. Amaru Mestas não lhe fica atrás, para quem o principal objectivo desta viagem que ambos vão fazer é “voltar às origens”. São estes os vencedores de 2020 do concurso da Gap Year Portugal, que se comprometem a visitar quatro países da América Latina em oito meses, no projecto “A Ver Vamos”, uma expressão bem portuguesa que sugere a ideia de “caminhar com espontaneidade”.

Mariana, 24 anos, e Amaru, 27, conheceram-se em 2013, em Coimbra, quando frequentavam a licenciatura em Relações Internacionais; mas só mais tarde, em 2018, é que voltaram a cruzar caminhos através das redes sociais, começando a namorar na Escócia. Nessa altura, Amaru estava a trabalhar em Lisboa e Mariana frequentava já o mestrado internacional Erasmus Mundus em Segurança, Intelligence e Estudos Estratégicos, que se estendia por Glasgow, Dublin e Praga.

Agora, estando ambos em Praga — Mariana a estagiar numa organização não-governamental e a acabar a tese de mestrado subordinada ao “papel dos defensores ambientais indígenas e afro-colombianos na construção de uma paz ambientalmente sustentável na Colômbia” e Amaru a trabalhar numa multinacional americana e a terminar a tese de mestrado na área da Gestão —, preparam-se para uma aventura. Vão conhecer a realidade da América Latina, onde estão as raízes de Amaru, de origem peruana, e “mudar de percurso laboral”, como o próprio Amaru afirma (e Mariana corrobora). Para além disso, também não deixam de mostrar entusiasmo por experimentarem a gastronomia local, querendo muito “viajar através dos pratos”.

Colômbia, Equador, Peru e Bolívia: para cada país, um projecto de voluntariado. Na Colômbia, onde os planos já estão mais definidos, Mariana e Amaru farão voluntariado numa quinta de café, “o produto mais conhecido da Colômbia”, motivo pelo qual “fazia sentido estar numa zona rural e apoiar”, através de visitas guiadas a turistas. Nos outros países, os planos ainda não estão completamente assentes, mas o casal fala na possibilidade de trabalhar numa quinta no âmbito da agricultura sustentável na Bolívia e, no Equador, contribuírem para uma acção de formação sobre a desconstrução de estereótipos de género num atelier de tempos livres.

Mariana e Amaru terão ainda todos os cuidados para que a sua viagem seja o mais sustentável possível, empenhados em implementar “mudanças estruturais na sociedade para que se combata a crise climática”. Os viajantes vão de comboio para Madrid e só lá apanharão o voo para Bogotá, e de Bogotá para Santa Marta. “O resto será tudo feito por via terrestre”, asseguram. “Tentámos incluir objectivos de desenvolvimento sustentável e de preservação da biodiversidade que fossem ao encontro dos projectos de voluntariado”, acrescentam. Querem também “evitar ao máximo” o “narcoturismo” na Colômbia.

Numa “fase de transição para o passo definitivo”, Mariana e Amaru consideram que esta é a “altura ideal” para fazerem a viagem que sempre quiseram fazer, até porque é o último ano em que Amaru poderia participar no Gap Year Portugal. Amaru, que sonha em trabalhar em projectos de economia de desenvolvimento, reforça uma vez mais que é a sua oportunidade para um “redescobrimento próprio”. Isto porque, sempre que ia ao Peru, era em “férias com a família, com os dias contados” – e é curioso, aponta Mariana, que muitos jovens estejam agora a fazer viagens de mochila às costas pela América Latina e que Amaru nunca o tenha feito. Também Mariana, fascinada pela América do Sul, poderá mergulhar numa outra cultura, antes de realmente “mergulhar” no mercado laboral “competitivo”, onde quer trabalhar na área humanitária. O resto? “A Ver Vamos.”

Texto editado por Ana Maria Henriques

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