Benfica-FC Porto: Quem tem mais argumentos? Um raio x aos finalistas

Onde estão os pontos fortes de “dragões” e “águias”? Uma análise sectorial das duas equipas.

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Alex Telles e Pizzi, dois dos maiores destaques dos finalistas deste sábado MIGUEL A. LOPES/LUSA

Guarda-redes

Há muitos treinadores que mudam de guarda-redes nas taças, mas abdicam desse princípio quando chegam à final e têm a sua primeira escolha na baliza. FC Porto e Benfica têm tido alguma rotatividade na baliza ao longo da época, mas com uma hierarquia bem definida: Marchesín tem sido o dono da baliza dos “dragões”; Vlachodimos é o dono da baliza das águias. Mas, para esta final, só o internacional grego do Benfica irá manter o estatuto, havendo uma enorme probabilidade de Diogo Costa, que fez os últimos dois jogos já depois de garantido o título, ser o escolhido por Sérgio Conceição para a final.

Começando pela baliza do novo campeão nacional, Diogo Costa já tem, aos 20 anos, uma rotação assinalável na equipa principal dos “dragões” – seis na Taça de Portugal, cinco na Taça da Liga e três no campeonato – depois de um percurso brilhante nos escalões de formação (campeão europeu de sub-17 e sub-19, e campeão na UEFA Youth League). Tem estampa de guarda-redes (1,92m de altura), agilidade, reflexos, é forte no jogo aéreo e tem disponibilidade para ajudar na construção do ataque. Só lhe falta mesmo a experiência, mas está a ganhá-la.

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Do lado benfiquista, apesar das apostas esporádicas em Svilar e Zlobin ao longo da época, Vlachodimos está num patamar muito superior aos seus dois concorrentes de posição. Numa época em que a defesa “encarnada” teve muitos buracos, o grego de origem alemã foi muitas vezes uma barreira intransponível para os adversários, exibindo-se como um dos melhores guardiões do campeonato, para além de ter mostrado uma enorme evolução nesta segunda temporada nas “águias”. Não foi por ele que o Benfica falhou o título, e Jorge Jesus, na sua lista de compras gigante para a próxima época, só precisa é de uma opção válida para o banco.

Defesa

Não houve uma diferença gigante em termos de golos sofridos no campeonato entre FC Porto (22) e Benfica (26), assim como também não houve uma estabilidade gigante no sector mais recuado de ambas as equipas. E nenhuma delas terá o seu quarteto de primeira escolha em Coimbra. Tendo em conta a lista dos disponíveis e as opções mais recentes dos dois treinadores, a escolha de Conceição deverá ser Manafá, Pepe, Mbemba e Alex Telles, Veríssimo deverá optar por André Almeida, Rúben Dias, Jardel e Tomás Tavares.

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Ao FC Porto falta Marcano, o experiente central espanhol que regressara esta época ao Dragão e que era fixo na defesa portista antes de se lesionar, em Maio. A lesão de Marcano obrigou Conceição a reformular o quarteto para o pós-confinamento e nada indica que vá mudar. Tem uma dupla experiente e rodada no eixo (Pepe e Mbemba) e dois laterais muito ofensivos (Manafá e Telles). Para o esquerdino brasileiro, um dos melhores goleadores da equipa, é provável que este seja o seu último jogo com a camisola do FC Porto.

Ao Benfica falta outro espanhol, Alex Grimaldo, um lateral-esquerdo com grande propensão ofensiva, mas inconstante na defesa. Sem o ex-Barcelona, a solução tem variado entre um dos Tavares (Nuno ou Tomás), e com resultados variáveis. Do quarteto, o único indiscutível é Rúben Dias e o seu parceiro tem variado entre Ferro e Jardel – com a tendência para o erro do português, o veterano brasileiro ganhou-lhe o lugar. E André Almeida, há muitos anos que não tem concorrência para o lado direito. Quando não joga ele, joga um dos Tavares.

Meio-campo

É no meio-campo que moram os jogadores que mais se destacaram em ambas as equipas esta época: Corona e Pizzi. O mexicano fez a sua melhor época ao serviço do FC Porto (quatro golos e 11 assistências), enquanto o internacional português, individualmente, teve a sua melhor época de sempre com os “encarnados” – 18 golos e 14 assistências, números de topo em ambas as categorias na I Liga. Ambos irão a jogo neste sábado como os principais municiadores de ataque das respectivas equipas.

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Conceição costuma variar um pouco o perfil táctico da sua equipa, entre o 4x4x2 e o 4x3x3, mas os nomes não variam assim tanto. Danilo Pereira, estando em condições, joga sempre, tal como Otávio, que subiu ao estatuto de primeira figura deste FC Porto, e Corona, de quem já falámos. O resto é uma incógnita, dependendo da disponibilidade de Uribe e Diaz – os dois colombianos não treinaram a 100% durante a semana. Sérgio Oliveira, que foi um jogador importante durante boa parte da época, está na primeira linha para o lugar que resta.

Nos “encarnados”, Veríssimo não mexeu muito no que Bruno Lage deixou em termos de meio-campo. Gabriel e Weigl, mais Pizzi e Cervi, são os quatro nomes para um sector que tem ainda como opções Taraabt, Samaris e Florentino (os dois primeiros dificilmente jogarão de início, o terceiro tem sido opção regular do treinador interino do Benfica).

Ataque

Tal como nos golos sofridos, também não houve uma diferença abissal na produção ofensiva de FC Porto (74) e Benfica (71), e, tal como na defesa, também as opções ofensivas foram variando ao longo da época, nos nomes e no perfil táctico. Esta foi uma época em que o FC Porto não teve um goleador de excelência (como já teve noutros tempos, como Jardel, Hulk, Falcao ou Jackson), mas vários goleadores médios, enquanto o Benfica nunca conseguiu acertar em cheio na sua dupla goleadora – mas acabou por ter dois dos três melhores marcadores do campeonato, um deles um médio.

Mesmo longe das suas melhores épocas no Dragão, Marega acabou por ser o melhor marcador do FC Porto no campeonato, marcando oito dos seus 12 golos nas jornadas do pós-confinamento - o maliano é um titular garantido na final de Coimbra. Menos óbvio é o seu parceiro no ataque. Tiquinho Soares será um candidato forte, mas Conceição pode dar o lugar a Zé Luís ou a um dos Fábios (Vieira ou Silva). Certo é que o lugar não será de Aboubakar, que pouco jogou esta época.

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No Benfica, a julgar pelo que têm sido as opções de Veríssimo, Vinícius, o melhor marcador do campeonato (18 golos), deverá começar no banco, cabendo a Seferovic o lugar de homem mais adiantado. Mas, tendo em conta a dança de avançados, não é garantido que tal aconteça. Até pode aparecer no “onze” o jovem Gonçalo Ramos, que marcou dois golos em cinco minutos frente ao Desp. Aves. Chiquinho, por seu lado, tem sido sempre titular com Veríssimo e deve manter o posto de segundo avançado, à frente de Rafa Silva (que tem entrado quase sempre como suplente). Já Dyego Sousa, praticamente deixou de contar e dificilmente será nesta final que se irá estrear a marcar pelo Benfica.

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