Manifestações em Israel mantêm Netanyahu sob pressão

No sábado à noite mais de dez mil pessoas concentraram-se perto da residência oficial do primeiro-ministro, furiosas com o seu envolvimento em casos de corrupção e com a sua gestão da pandemia.

Manifestantes em Jerusalem a exigir a demissão de Netanyahu
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Manifestantes em Jerusalém a exigir a demissão de Netanyahu EPA/ABIR SULTAN

A pressão popular sobre o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, é cada vez maior. Este sábado milhares de pessoas participaram em protestos em Jerusalém e no resto do país para exigir a sua demissão.

O movimento de contestação que surgiu nos últimos meses parece estar a ganhar força. No sábado à noite, perto de dez mil pessoas, segundo a polícia, concentraram-se nas imediações da residência oficial de Netanyahu, em Jerusalém. Houve manifestações em 300 outros pontos do país, de acordo com o Jerusalem Post, incluindo junto da casa de férias do primeiro-ministro, perto de Telavive.

O Movimento Bandeira Negra disse que 60 mil participaram nos protestos que qualificou como “inéditos” em Israel. Desde 2011, quando uma série de manifestações juntou centenas de milhares de pessoas contra a crescente desigualdade social, que o país não tinha uma onda de contestação tão forte.

Os manifestantes exigem a demissão de Netanyahu, há mais de uma década no poder, por causa do seu envolvimento em casos de corrupção, acusam-no de ser autoritário e estão também frustrados com a gestão da pandemia da covid-19 feita pelo seu Governo. Nos protestos havia cartazes com as expressões “ministro do crime” [crime-minister] e “vai para a prisão”, segundo o Guardian.

Houve relato de confrontos entre os manifestantes e elementos pertencentes a grupos criminosos de extrema-direita em Telavive. Foram detidos 16 membros dos grupos extremistas. Mais a sul, em Rehovot, houve uma tentativa de atropelamento de manifestantes, disse o Movimento Bandeira Negra, citado pelo Jerusalem Post.

Em protestos anteriores a polícia foi criticada por fazer uso de força excessiva para reprimir as manifestações, mas este sábado a sua actuação parece ter sido mais moderada. Ainda assim, 12 pessoas foram detidas por causar “distúrbios públicos”.

A estratégia de Netanyahu tem sido a de desvalorizar os protestos, reduzindo-os a casos de vandalismo e a culpar o que diz ser o oportunismo dos seus adversários políticos. Também tem criticado a cobertura mediática das manifestações, que considera “empolada”. Este domingo, o primeiro-ministro acusou os protestos de serem “incubadores de coronavírus” e disse que os media "encorajam” os manifestantes.

Em Maio, Netanyahu tomou posse para o seu terceiro mandato na chefia do Governo, após a realização de três eleições inconclusivas. O primeiro-ministro está a ser julgado por corrupção num processo que deverá durar vários anos.

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