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Microsoft conversa com Trump e admite negociações para comprar o TikTok

Se a aquisição falhar, a rede social pode ser banida nos EUA devido às ligações com a China.

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Reuters/Florence Lo

A gigante norte-americana Microsoft confirmou os rumores e admitiu estar em negociações para comprar a rede social TikTok numa altura em que o Presidente dos EUA, Donald Trump, pondera banir a aplicação de vídeos virais que é detida pela empresa chinesa ByteDance.

Se correrem bem, as negociações com a ByteDance devem estar concluídas até ao dia 15 de Setembro. 

“[A Microsoft] Está comprometida em adquirir o TikTok mediante uma revisão completa da segurança”, anunciou a empresa num comunicado, domingo à noite. A decisão resulta de várias conversas entre o presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, e o Presidente dos EUA, Donald Trump.

A empresa decidiu tornar a informação pública depois de o jornal norte-americano Wall Street Journal avançar que a compra do TikTok estava em pausa devido aos comentários recentes de Donald Trump sobre o fim da aplicação nos EUA. 

“A Microsoft percebe a importância de dar resposta às preocupações do Presidente”, diz a empresa. Parte da desconfiança dos EUA deriva das ligações do TikTok à chinesa ByteDance. Com a Lei Nacional de Inteligência da República Popular da China, aprovada em 2017, “todas as organizações e cidadãos devem apoiar, ajudar e cooperar com o Estado em matéria de inteligência nacional”.

Somam-se acusações de censura. Em 2019, por exemplo, a aplicação foi criticada por remover temporariamente um vídeo de uma adolescente americana que criticava o tratamento dado pelo regime de Pequim aos uigures, que são uma minoria muçulmana na China. Meses antes, a aplicação chinesa teve de pedir desculpa por reduzir o alcance do conteúdo de utilizadores com cicatrizes, excesso de peso, uma deficiência visível, ou conteúdo LGBT+.

O TikTok nega quaisquer ligações ao governo chinês, argumentando que os servidores da rede social não estão na China e que os utilizadores da aplicação naquele país não usam o TikTok, mas sim a versão chinesa Douyin.

Se a compra do TikTok correr bem, porém, a Microsoft passa a ser a responsável pela segurança e pelas operações do TikTok nos EUA, mas também no Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Como parte do acordo, a tecnológica garante que os dados privados de todos os utilizadores norte-americanos ficarão nos EUA.

O PÚBLICO tentou contactar o TikTok para mais informações sobre o acordo, mas não obteve resposta até à hora de publicação deste artigo.

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