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Eles procuram locais abandonados — e levam sempre o mesmo casaco amarelo

Ivy e Athon percorrem o país e a Europa à procura de cenários esquecidos, onde se inserem a eles próprios ou aos casacos amarelos que são a sua imagem de marca. Nasceu assim The Yellow Jackets, o projecto fotográfico que quer mostrar a “quantidade de imóveis de cariz cultural e de alto valor patrimonial que se encontram ao abandono". 

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Ivy e Athon percorrem Portugal e a Europa com o casaco amarelo e a câmara fotográfica na mochila. Procuram locais “deixados ao esquecimento” (uns mais do que outros) e acrescentam-lhe um elemento: eles próprios. Com formação na área da Fotografia e Design, ambos já fotografavam antes de se conhecerem, mas foi juntos que criaram o projecto The Yellow Jackets — que pretende “dar uma nova vida a locais abandonados”. 

Um passatempo que os levou “a descobrir aldeias inteiras completamente abandonadas, e outras que para lá caminham, bem como imóveis históricos em ruas movimentadas de grandes centros urbanos”, escreve o casal de portugueses ao P3, que não quer revelar a identidade por acreditarem que não é "relevante para o projecto". No portfólio, contam com fotografias de fábricas, centrais eléctricas, minas, prisões, palácios centros comerciais e muitos outros. “Já visitámos o país de Norte a Sul, viajámos pela Europa, sempre na procura incessante dos melhores locais.”

O casaco amarelo é simbólico: “Remete-nos à luz — essência da fotografia —, é uma cor extremamente criativa, quente e alegre, contrastando imenso com os sítios que habitualmente visitamos, que são sombrios, tristes, sem vida.” Os fotógrafos associam também a cor à “superação de dificuldades, sensação de felicidade e conquista” por conseguirem entrar em locais “arriscados”, sem saber ao certo que vão encontrar. Às vezes, é apenas o casaco que deixam no cenário. Uma marca de si próprios que vale sozinha.

O resultado são um conjunto de fotografias esteticamente apelativas, partilhadas (e à venda) no site e nas contas de Instagram, que desperta a curiosidade de quem as vê. “Quanto fotografamos espaços industriais, por exemplo, que outrora empregaram centenas de trabalhadores e hoje estão ao esquecimento, as nossas fotografias são ‘familiares’ e chamam a atenção”, contam. O projecto é, “mais do que uma aposta artística”, um “pequeno diário”, onde são guardadas memórias “destes locais mágicos que parecem saídos do imaginário”. Às vezes, além da surpresa que é o caminho para entrar nestes locais, um tanto ou quanto acidentados e irregulares, encontram neles a casa de alguém. 

Ivy e Athon querem também chamar a atenção para o património que fica tão esquecido, que acaba por se perder. O projecto acaba por lhes dar a percepção da “quantidade de imóveis de cariz cultural e de alto valor patrimonial, carregados de História e histórias, que se encontram ao abandono e completamente desprezados”. E deixam a pergunta: “Em dez anos, quantos destes edifícios existirão? Quantos conservarão a sua traça original e os seus interiores? Quantos irão manter-se e ficar para ‘contar’ as suas memórias?” Os Yellow Jackets querem, sobretudo, eternizá-los. 

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